COLUNA TIRO LIVRE

A novela Matheus Pereira: como fica o clima no Cruzeiro

A diretoria do Cruzeiro terá de administrar esse vaivém de Matheus Pereira, de forma que não seja nocivo para o grupo

A despedida de Matheus Pereira estava pronta. O Cruzeiro já confirmava a jornalistas, em off, que a saída estava selada. Havia chegado a acordo com o Zenit para a venda do meia – numa transação financeiramente muito importante para o clube, que embolsaria na casa de R$ 54,6 milhões – e dado entrada no processo de rescisão do vínculo na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O jogador foi liberado para fazer exames médicos e assinar contrato. Tudo a toque de caixa, já que a janela de transferências russa fechava nesta quinta-feira. Até que, no último minuto, veio a reviravolta.

Matheus Pereira voltou sem ter ido. O nome dele não apareceu no “BID” da Rússia – o sistema de registro das contratações feitas pelos clubes. Segundo o Cruzeiro, o jogador recuou, optando por não fechar com o Zenit e permanecer em Belo Horizonte. Foi o “Dia do Fico” de Matheus Pereira.

Àquela altura, ainda sem saber da guinada, a torcida se dividia nas redes sociais a respeito do adeus do camisa 10. Uma parte o considerava já amor do passado, deixando espaço apenas para as paixões atuais, como Gabigol. Houve quem reagisse até com certa mágoa no coração, por ser preterido, e dissesse que Matheus Pereira saía pela porta dos fundos. Outros reconheciam que o time perdia um jogador de categoria.

A pergunta que dominava os debates era: MP10, como é carinhosamente chamado, vai fazer falta ao Cruzeiro? Pois quem sofria com a dor do adeus pode comemorar a segunda chance nessa relação. Até quando não se sabe – o tal infinito enquanto dure, do soneto de Vinicius de Moraes, que rege os enlaces no futebol. E quem dizia que ele já ia tarde, terá de guardar o ressentimento em uma caixinha e voltar a torcer pelo meia.

O clima para Matheus Pereira

A grande questão, então, mudou. Agora, será ver como ficará o clima na Toca da Raposa depois desse vai-não-vai. Antes de qualquer ilação, é importante frisar: todo bom jogador faz falta a um time. A saída de qualquer atleta com potencial para mudar o destino de uma partida é sentida. Se for um de técnica e visão de jogo acima da média, esse vácuo aumenta.

Não para dá negar: Matheus Pereira é desse naipe – dos que estão acima dos medianos. Quando foi contratado, em julho de 2023, chegou com status de astro, para ser o maestro do time. É verdade que viveu certa irregularidade, alternando grande fase (que o levou à Seleção Brasileira) com períodos de baixa (em que ouviu até vaias).

Ainda jovem – tem 28 anos –, ele vai atuar por muito tempo. E tem repertório para fazer isso em alto nível. Esse é o lado bom para o torcedor do Cruzeiro.

Mas toda moeda tem dois lados, e o outro é uma senhora incógnita. Tão logo a notícia da potencial saída de Matheus Pereira pipocou, apareceram notícias sobre “desentendimentos” entre ele e dirigentes. Rumores de que o ambiente na Toca não estava bom para o meia. Que Matheus Pereira incomodava por ser “individualista”, entre outras acusações.

Ainda que tudo isso não seja verdade, não dá para negar que a diretoria terá de administrar esse vaivém, de forma que não seja nocivo para o grupo. Matheus Pereira deve ficar de alma e coração. Assumir a decisão que tomou e aceitar a permanência. Viver o Cruzeiro com toda a plenitude, até o fim do contrato – que vai até junho do ano que vem. Assim como todo o entorno dele, dentro da Toca, também precisa compreender isso e abraçá-lo de volta.

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