COLUNA TIRO LIVRE

Hamilton e Ferrari, a combinação perfeita?

A tacada de Hamilton é ousada. Depois de 10 anos na Mercedes, ele sabe que chegou a hora de um novo, desafio

Enquanto o mundo do futebol estava com todos os olhos voltados para as negociações nos campos, a transferência que mais agitou o mercado esportivo neste ano veio do automobilismo. A ida de Lewis Hamilton para a Ferrari foi uma das notícias mais impactantes dos últimos tempos, não só na Fórmula 1.

A transferência do britânico para a escuderia italiana caiu como uma bomba nos quatro cantos do planeta. Chegou a ser comparada a viradas de casaca do futebol, como a polêmica troca do Barcelona pelo Real Madrid pelo português Luis Figo – que tem até documentário na Netflix – e, em gramados brasileiros, a ida de Vitor Pereira para o Flamengo, após não renovar contrato com o Corinthians alegando problemas familiares.

O acerto, que vale a partir de 2025, dominou as discussões. Afinal, Lewis, aos 39 anos, chega à escuderia que é considerada mítica dentro da F-1. O heptacampeão estará a serviço da maior campeã da principal categoria do automobilismo mundial. A Ferrari tem 21 títulos, 16 como construtora (1961, 1964, 1975, 1976, 1977, 1979, 1982, 1983, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2007 e 2008) e 15 de pilotos (1952, 1953, 1956, 1958, 1961, 1964, 1975, 1977, 1979, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2007).

Hamilton tem sete conquistas: foi campeão em 2008, 2014, 2015, 2017, 2018, 2019 e 2020 – os últimos seis na Mercedes, onde estava desde 2013.

Na equipe inglesa, Hamilton soma 82 vitórias, 78 pole positions e 148 pódios em 222 Grandes Prêmios. Mas não vence uma prova desde 5 de dezembro de 2021, quando cruzou a linha de chegada em primeiro na Arábia Saudita. Passou em branco em 2022 (fato até então inédito na carreira dele), o que se repetiu em 2023.

Em meados do ano passado, surgiram rumores de que o britânico estava na mira tifosi. Especulações, em agosto, davam conta do interesse da Ferrari, que estaria disposta a desembolsar nada menos que 40 milhões de libras (aproximadamente R$ 249 milhões) para levá-lo. Na época, representantes da equipe negaram ter apresentado qualquer proposta a Hamilton.

Meses depois, no entanto, o piloto admitiu ter tido conversas casuais com a escuderia, sem que essas tivessem se transformado em proposta oficial. O que poucos sabiam é que, de fato, seria questão de tempo ele se vestir, de corpo e alma, de vermelho.

Hamilton na Ferrari

A tacada de Hamilton é ousada. Acima de tudo, consciente. Depois de 10 anos na Mercedes, ele sabe que chegou a hora de um novo, e gigantesco, desafio. Vai atrair, de novo, os holofotes. Mas a vida é assim: nos coloca diante de novos caminhos que precisamos ter coragem para trilhar. Quando a zona de conforto deixa de ser agradável, é hora de dar um passo adiante.

A esta altura da vida, rico e vencedor, Hamilton se coloca diante de uma proposta diferente. Como bem escreveu o ex-piloto Damon Hill no jornal inglês The Telegraph, “o fascínio exercido pela Ferrari era grande demais para Hamilton recusar”.

Hill ainda destacou que a Ferrari é a maior e a mais icônica equipe de F-1, por isso não há surpresa no acerto em si e, sim, no momento em que ele ocorreu. De fato, a temporada de 2024, agora, corre o risco de não passar de mera contagem regressiva para o maior acontecimento no mundo da velocidade desde que Ayrton Senna deixou a McLaren para guiar uma Williams, há exatos 30 anos.

Um talento inquestionável (com várias pitadas de carisma e consciência social) vai se somar à magia que cerca o time do “Cavallino Rampante”.

À primeira vista, a combinação perfeita. Receita certa para o sucesso? Isso ainda não se sabe. O que já se pode dizer é que esse encontro entre Hamilton e Ferrari ocorre quando ambos não estão em alta. E pode justamente ser a simbiose que vai catapultá-los de novo para o topo.

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