COLUNA TIRO LIVRE

Preciado, a bola da vez no Atlético

Será mesmo justo apontar o dedo apenas para um jogador quando não foi uma falha individual que decidiu a partida?

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A derrota do Atlético para o Bragantino por 1 a 0, no interior paulista – a primeira do time alvinegro na temporada –, teve, para muitos torcedores, nome e sobrenome: Angelo Preciado. Foi só o quarto jogo do lateral equatoriano com a camisa do Galo, mas o suficiente para que muitos decretassem que ele não serve para o time.

As ressalvas recaem, sobretudo, nas valências defensivas. Preciado não passaria a segurança que se espera dele, alegam.

Das quatro partidas que o lateral disputou, apenas na estreia (diante do América) ele atuou por 90 minutos – e até deixou boa impressão. Contra o Cruzeiro, no confronto seguinte, saiu aos 32min do primeiro tempo, depois de sofrer uma entorse no tornozelo esquerdo. Mal deu tempo de julgar a exibição dele.

Preciado voltou a ser titular contra o Pouso Alegre, sendo substituído no fim da partida. Não brilhou, contudo também não comprometeu. Contra o Massa Bruta, de fato ele foi mal. Vacilou na defesa. Mas é preciso dizer: não foi o único. O sistema defensivo alvinegro não funcionou como um todo – considerando os jogadores de linha, já que o goleiro Everson fez a parte dele, com as intervenções milagrosas de sempre.

Será mesmo justo apontar o dedo apenas para um jogador quando não foi uma falha individual que decidiu a partida? A bola passou por vários pés antes de ir parar no fundo das redes atleticanas. Preciado pecou, sim, na marcação a Juninho Capixaba na jogada, mas depois do cruzamento do lateral do Bragantino o que não faltou foi oportunidade para que outros jogadores do Galo afastassem o perigo. Só no segundo chute da entrada da área os donos da casa fizeram o gol que definiu o placar.

Auxiliar da comissão técnica de Jorge Sampaoli no Atlético, Diogo Alves procurou acalmar o torcedor depois do jogo em Bragança Paulista. Destacou que Preciado vai encontrar seu lugar, render o que se espera dele. Até lançou um desafio de fé aos atleticanos.

“Vocês não tenham dúvida. O torcedor pode ficar tranquilo em relação ao jogador, que seguramente vai dar – inclusive, através da grande capacidade física – coisas bastante positivas ao Clube Atlético Mineiro”, disse Diogo Alves.

Aos 27 anos, Preciado é figurinha carimbada na Seleção Equatoriana que terminou as Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026 em segundo lugar, atrás somente da Argentina. Ele esteve nas edições de 2021 e 2024 da Copa América, além da Copa do Mundo de 2022 (disputou três jogos e deu uma assistência).

Despontou no Independiente del Valle, onde atuou entre 2018 e 2023 e foi campeão da Copa Sul-Americana de 2019. O sucesso o levou para a Europa: primeiro para o Genk, da Bélgica, e depois para o Sparta Praga, da República Tcheca. No início deste ano, assinou contrato com o Atlético para quatro temporadas.

É cedo para saber se Preciado vai se firmar na posição ou será um fracasso total, como já pregam alguns. Se você pensar bem, há algum tempo que o Galo não tem, na lateral direita, um nome incontestável. Nem no iluminado ano de 2021 foi assim: naquela temporada, o dono da posição era o apenas regular Mariano. Com a equipe ajustada coletivamente e a experiência dele, Mariano deu conta do recado.

O futebol é bem assim. Nem sempre equipes consagradas são formadas por 11 jogadores acima da média. Geralmente, tem um ou outro. E sinta-se satisfeito se tiver um em cada setor do campo. O grande xis da questão é o treinador encontrar a sintonia, o encaixe que permite que as virtudes dos mais privilegiados compensem eventuais fragilidades dos menos prendados. E é essa missão que está nas mãos de Jorge Sampaoli.

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