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Cruzeiro: ex-diretora revela ‘choque de filosofia’ ao justificar saída

Bárbara Fonseca deixou, em janeiro de 2026, o cargo de diretora de futebol feminino do Cruzeiro para assumir a pasta no Grêmio

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Depois de seis temporadas no departamento de futebol feminino do Cruzeiro, Bárbara Fonseca deixou o cargo de diretora da pasta, assumido em setembro de 2024, para exercer a função de executiva no Grêmio. Pouco menos de um mês após a mudança, a dirigente revelou os motivos que a fizeram deixar Belo Horizonte em entrevista ao podcast Resenha das Gurias. Entre eles, está um ‘choque de filosofia’.

Bárbara Fonseca disse acreditar que, no Cruzeiro, alcançou um teto de contribuição. Curiosamente, em setembro de 2024, Kin Saito utilizou o mesmo termo para explicar a decisão de deixar o cargo de diretora de futebol feminino da Raposa.

“A decisão não tem uma causa só. Uma motivação muito pessoal que, quando você está muito tempo num lugar só, você bate a cabeça no teto, sabe? Tem a sensação de que talvez o espaço precise de uma nova filosofia e você enquanto profissional precise de um novo espaço para entregar sua filosofia. Então teve essa questão pessoal. Teve, de fato, um choque de filosofia dentro do Cruzeiro”

Bárbara Fonseca, executiva de futebol feminino do Grêmio, ao Resenha das Gurias

Bárbara Fonseca não especificou o tema. Entretanto, em outubro de 2025, o No Ataque noticiou um desgaste entre o departamento de futebol feminino e a diretoria geral da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Cruzeiro acerca do investimento para a temporada de 2026. Enquanto os integrantes da pasta almejavam valor superior ao de 2025, que foi de R$ 15 milhões, a cúpula celeste desejava a manutenção, decisão que, se executada, poderia resultar em um desmanche. No fim, a Raposa aumentou o capital para R$ 16 milhões.

Ainda sobre o ‘choque de filosofia’, Bárbara Fonseca citou as categorias de base. De acordo com a dirigente, apresentou diferentes propostas para a estruturação do projeto, mas não obteve respaldo.

“Sempre enxerguei a categoria de base como o futuro. Se de uma frente eu era muito cobrada para fazer um departamento de futebol feminino sustentável, eu não tinha um incentivo para trabalhar a categoria de base. E tentava entregar a informação, (falar) ‘olha, sem isso a gente não consegue aquilo’. Nos três anos que venho tentando apresentar um planejamento estratégico de baixo custo para iniciar as categorias de base, entregando resultados a médio e longo prazo, já flutuei de todas as formas, baixo custo, médio custo, custo elevado, resultado a longo prazo, a médio prazo, essa ideia nunca foi comprada”, continuou.

“Quando veio o Grêmio, já tem uma base que dá frutos. Brasileiro Sub-17 foi finalista. Na Copinha, chega na final – e o resultado não diz muitas coisas. Você vê atletas indo para Seleções de base. Cê olha: ‘pô, isso é o lugar que quero e, se puder implementar minha filosofia lá para aprimorar e tirar o Grêmio de um patamar que já é de visibilidade nacional e melhorar, deixar um legado, é o que vai me motivar”, complementou. 

Outro fator que a fez aceitar o projeto do tricolor gaúcho, disse, tem relação com a história do clube e os embates: “Para além disso, a camisa do Grêmio. Sempre vinha na minha memória as lembranças de quando enfrentava o Grêmio. Sempre foram confrontos que me remeteram à palavra de guerra. Era sempre muito difícil vencer o Grêmio… Sempre me remeteu a grandes desafios. E me conecto com esse lance do esforço. A gente pode abrir mão de tudo, menos de esforço”.

Cruzeiro estrutura categorias de base do feminino

Luiza Parreiras, nova gerente de futebol feminino do Cruzeiro, tocou no assunto base durante apresentação, nessa terça-feira (3/2). 

No ano passado, a Raposa disputou e conquistou o Campeonato Mineiro Sub-17. Ao fim da competição, a diretoria celeste desfez o projeto e garantiu que em 2026 o retomaria. A expectativa era de que as Cabulosas jogassem o Campeonato Brasileiro Sub-20, o que não ocorrerá.

De acordo com Luiza Parreiras, a decisão tem relação com a falta de tempo hábil para elaborar um projeto promissor em tal categoria. A dirigente revelou que o objetivo é disputar as competições sub-17.

“A gente decidiu mesmo não disputar o Brasileiro Sub-20 por uma questão estratégica. Na minha vinda, na conversa com presidente e diretores, fui perguntada sobre minha opinião acerca da estruturação das categorias de base. Eu expliquei que era um pré-requisito ter autonomia para dar andamento na base. Quando eu cheguei, conversei com a Keyla (Monadjemi, coordenadora da categoria de base feminina), e a gente entendeu que o melhor para o futebol feminino do Cruzeiro é disputar as competições na categoria sub-17”, disse.

Neste ano, portanto, o Cruzeiro tem pela frente na categoria sub-17 o Campeonato Mineiro (inexistente na categoria sub-20) e o Campeonato Brasileiro. No fim da temporada, a meta é disputar, também, a Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Mas, para isso, as Cabulosas precisam resolver questões estruturais, como o local em que a base trabalhará. Luiza Parreiras garantiu que tocará o assunto nas próximas semanas. A ideia também é recuperar jogadoras que defenderam a camisa estrelada na conquista do Mineiro em 2025.

“Ainda não (está definido o local). O combinado foi chegar nas primeiras semanas e cuidar do profissional, resolver algumas demandas pendentes. Pretendo nas próximas semanas. A gente precisa sentar, apresentar para o presidente e ter um local estruturado, estrutura da comissão, retomar algumas atletas que já tinham conversas depois do título do Mineiro para iniciar o projeto”, completou a executiva.

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