O Atlético pagou caro por um primeiro tempo abaixo da crítica na noite desta quarta-feira (4/2), no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista. Pouco inspirado ofensivamente e com fragilidades defensivas, o Galo perdeu para o Bragantino, por 1 a 0, pela segunda rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Gustavo Neves marcou o gol que definiu o placar final da partida.
Distante do estilo de jogo do técnico Jorge Sampaoli na etapa inicial, o Galo se viu refém das bolas longas e pouco ameaçou o adversário. Além disso, concedeu espaços principalmente pelo lado direito da defesa e se viu desprotegido em diversas situações na entrada da grande área – cenário que voltou a evidenciar fragilidades do elenco do clube mineiro.
Com o resultado, o Atlético segue sem vencer no Brasileirão, com um ponto – temporariamente na 12ª colocação. Já o Bragantino saltou aos seis pontos e, neste momento, lidera a competição nacional.
Próximos jogos de Bragantino e Atlético
No fim de semana, Bragantino e Atlético terão compromissos pelos respectivos estaduais. No sábado (4/2), a partir das 18h30, o Galo receberá o Athletic na Arena MRV, em Belo Horizonte, pela sétima rodada do Campeonato Mineiro.
Já no domingo (5/2), a partir das 18h30, o Massa Bruta visitará o Velo Clube no Estádio Benito Agnelo Castellano, em Rio Claro. O duelo será disputado pela sétima rodada do Campeonato Paulista.
Bragantino x Atlético: o jogo
Diferente do que se observou nos últimos jogos, o Atlético não teve bom início no Cícero de Souza Marques. Distante das características do estilo de jogo de Jorge Sampaoli, o Galo ficava pouco com a posse de bola e abusava dos lançamentos longos, principalmente com Everson, para tentar encontrar as costas da defesa adversária.
O time alvinegro cometia muitos erros e forçava estas ligações diretas especialmente pelo lado direito, com Ángelo Preciado e Bernard. A dupla encontrava dificuldades para se conectar e pouco produzia pelo corredor, além de deixar espaços na marcação.
Sem a bola, o Atlético se postava em bloco médio ou baixo, buscando proteger a entrada da área e direcionando ataques do Bragantino pelas beiradas do gramado. Até mesmo por isso, o Massa Bruta terminava muitas jogadas com cruzamentos aéreos – alguns deles, inclusive, levaram perigo á área alvinegra.
O jogo era intensamente disputado, mas tinha poucas chances de gols. Somente na metade do primeiro tempo, Everson fez a primeira intervenção: Gabriel arriscou chute forte de fora da área, e o goleiro do Galo se esticou para espalmar.
A chuva apertou em Bragança Paulista. Em meio ao cenário de diversos cruzamentos do Bragantino, o zagueiro Ruan Tressoldi se destacava com imposição aérea e vários cortes – ao menos a princípio.
Para o Atlético, faltava participação dos homens de meio de campo na construção e maior aproximação para uma saída de bola mais fluida – méritos também à marcação adversária. Suspenso, Sampaoli demonstrava irritação em um dos camarotes do Cícero de Souza Marques.
Até que, aos 37 minutos, o Bragantino abriu o placar com justiça: depois de disputa envolvendo Preciado pela direita e diversas rebatidas na defesa do Atlético, Gustavo Neves aproveitou sobra na entrada da área para estufar as redes: 1 a 0 para o Massa Bruta.
O cenário seguia de domínio dos mandantes depois do gol. Já na reta final da etapa inicial, Gustavo teve nova chance com liberdade na grande área depois de cruzamento e exigiu grande defesa de Everson, que mais uma vez se esticou no canto esquerdo.
No fim das contas, um primeiro tempo consideravelmente abaixo das expectativas por parte do Galo. Com problemas de compactação defensiva e má execução da proposta ofensiva, o time alvinegro foi dominado na etapa inicial no interior paulista.
Segundo tempo
No intervalo, Sampaoli acionou Igor Gomes e Cuello nas vagas de Bernard e Dudu para tentar mudar o cenário no Cícero de Souza Marques. As alterações mexeram com a estrutura do Atlético, já que, diferentemente de Bernard, Igor Gomes se posicionava no meio de campo – abrindo ainda mais espaço para que Preciado avançasse pela direita.
O Galo teve um bom início de segundo tempo. Com mais fluidez na construção, o time alvinegro passou a ocupar mais o campo de ataque, explorando principalmente o lado esquerdo com Renan Lodi e Cuello.
Um ponto de atenção para Sampaoli, de toda forma, seguia sendo a recomposição defensiva. O Atlético por vezes demorava a se reorganizar diante das subidas do Bragantino e cedia espaços preciosos atrás.
Em termos ofensivos, Victor Hugo se mostrava mais participativo por dentro, ensaiando jogadas individuais e chamando a responsabilidade. Depois de passe longo preciso de Igor Gomes, Preciado ameaçou com arrancada em velocidade e cruzamento pela direita aos 11 minutos, mas viu Alix Vinícius fazer corte providencial para salvar o Massa Bruta – que respondeu com cabeceio perigoso de Gustavo Marques instantes depois, em lance de escanteio.
Reinier entrou no lugar de Hulk, que pouco pôde contribuir para o Atlético no confronto. Mais uma vez, o camisa 19 entrou agregando dinamismo ao ataque alvinegro, com boas descidas para buscar a bola e toques de primeira para se associar com os companheiros. Scarpa também foi acionado no lugar de Preciado.
Aos 25 minutos, Cuello protagonizou a melhor chance do Galo na partida. Depois de troca de passes no meio de campo, o argentino arriscou com chute colocado de média distância e viu a bola explodir no travessão, próxima ao ângulo esquerdo defendido por Cleiton.
O ponta-esquerda era o mais ativo do time de Sampaoli no segundo tempo. Com iniciativa para jogadas individuais, encontrava soluções e empilhava finalizações.
Mesmo com mais alternativas para ameaçar o adversário, especialmente pelos corredores, o Atlético sofria com o acabamento das tramas ofensivas ou simplesmente pelo azar. Na medida em que o jogo se encaminhava ao fim, o Bragantino se preocupava cada vez mais com a defesa e tentava conter as iniciativas do Galo para conservar o resultado.
No fim das contas, o Galo insistiu, mas não conseguiu o empate – ainda houve tempo para reclamação alvinegra acerca de um possível pênalti em Renan Lodi, já nos minutos derradeiros do jogo. O conjunto de Sampaoli pagou caro pelo etapa inicial ruim e segue sem a primeira vitória no Brasileirão.
BRAGANTINO 1 x 0 ATLÉTICO
Bragantino
Cleiton; Andrés Hurtado, Alix Vinícius (Pedro Henrique, aos 25min do 2°T) , Gustavo Marques e Juninho Capixaba; Gabriel (Nacho Sosa, aos 20min do 2°T), Matheus Fernandes (Fabinho, aos 20min do 2°T) e Gustavo Neves (Eric Ramires, aos 36min do 2°T); Lucas Barbosa, Henry Mosquera e Eduardo Sasha (Isidro Pitta, aos 20min do 2°T)
Técnico: Vagner Mancini
Atlético
Everson; Ángelo Preciado (Gustavo Scarpa, aos 25min do 2°T), Ruan Tressoldi, Junior Alonso e Renan Lodi; Alan Franco, Maycon (Cissé, aos 42min do 2°T) e Victor Hugo; Bernard (Igor Gomes, no intervalo), Dudu (Cuello, no intervalo) e Hulk (Reinier, aos 17min do 2°T)
Técnico: Jorge Sampaoli
- Motivo: 2ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro
- Data: 4/2/2026
- Estádio: Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista
- Árbitro: Lucas Paulo Torezin (PR)
- Assistentes: Rafael Trombeta (PR) e Andrey Luiz de Freitas (PR)
- VAR: Rodrigo D’Alonso Ferreira (SC)
- Gols: Gustavo Neves (Bragantino, aos 37min do 1°T)
- Cartões amarelos: Gabriel, Nacho Sosa, Andrés Hurtado (Bragantino); Igor Gomes, Renan Lodi (Atlético)