Adriano Imperador encerrou a carreira sem jogar por clubes de Minas Gerais. Porém, o respeito que o icônico jogador do futebol brasileiro atestou à torcida do Atlético chamou a atenção. O ex-atacante relembrou um jogo do Galo contra o Flamengo, no Mineirão, em Belo Horizonte, pelo Campeonato Brasileiro de 2009 e deixou claro: “Neguinho treme”.
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As declarações de Adriano sobre a partida disputada em 8 de novembro de 2009 estão disponíveis na biografia do ex-jogador chamada “Meu medo maior”, que foi escrita pelo jornalista Ulisses Neto. No capítulo sobre a saga do Flamengo até o título do Brasileirão há 16 anos, o Imperador encheu a torcida do Atlético de elogios.
“Depois do Santos a gente pegou o Atlético no Mineirão, filho. Tu já foi lá? O quê? Meu irmão, o vestiário é cabuloso. A torcida dos caras canta pro caralh*. O barulho entra pelo basculante com tudo. Neguinho treme, filho. Se não tiver na pegada, esquece. Para quem tem uma rivalidade histórica do Flamengo com o Atlético, né? Os caras dizem que a gente roubou eles em sei lá que ano aí. Deve ter sido antes de eu nascer, mas dizem”
Adriano Imperador, ícone do futebol brasileiro
“Porr*, a chegada no Mineirão foi pesada. A torcida deles canta pra caramba. Cercaram nosso ônibus, chacoalharam tudo. O Zé Roberto virou pra mim com os olhos arregalados. Todo mundo ficou quieto. Não tava rolando nem música naquele dia. A gente sempre ia pro estádio tirando onda, fazendo farra, no som no talo, mas naquela tarde o clima era diferente. Silêncio absoluto. A gente só ouvia as músicas da torcida. ‘Gaaaaalooooo’ pra tudo quanto era lado”, destacou o ex-atacante.
Jogo entre Atlético x Flamengo em 2009
Naquele ano, o Atlético havia liderado o Campeonato Brasileiro e enfrentava o Flamengo que estava em ascensão, mas ainda distante da liderança. O primeiro lugar era do Palmeiras, com 58 pontos, enquanto Atlético estava em terceiro, com 56, e o Flamengo era o quarto, com 54. Logo, era um confronto direto na 34ª rodada para permanecer na disputa do título.
Até por isso, 63.385 pessoas estiveram no Mineirão naquele domingo, em 8 de novembro de 2009. O Atlético foi escalado por Celso Roth com Carini; Carlos Alberto, Werley, Benítez e Thiago Feltri; Renan (Evandro), Jonílson, Corrêa (Serginho) e Ricardinho; Éder Luis (Renteria) e Diego Tardelli, enquanto o Flamengo do técnico Andrade entrou em campo com Bruno; Léo Moura, Álvaro, Ronaldo Angelim e Juan; Airton (Toró), Maldonado, Willians e Petkovic (Fierro); Adriano e Zé Roberto (Welinton).
Só que antes da bola rolar, a partida já estava perdida. Isso foi o que percebeu Adriano à época. “Posso falar? O jogo estava perdido no vestiário. A torcida dos caras fazendo um inferno, tu acha que eles iam entrar no campo? Porr*, e a gente naquele clima de derrota. Eu fiquei muito incomodado mesmo, até porque eu sabia o que estava acontecendo”, afirmou o Imperador.
Na sequência, o ex-atacante relembrou uma conversa que teve com o restante do elenco. O intuito era convencer os companheiros a não levarem o apoio da torcida atleticana em consideração. Adriano contou como foi aquele diálogo antes do apito inicial, o qual surtiu efeito, já que o Flamengo venceu por 3 a 1.
“Quando a gente saiu para o túnel, a minha cabeça estava a milhão. Eu sentia um gosto azedo na boca. ‘Falo ou não falo?’, era a pergunta que estava me azucrinando. ‘Foda-se, eu tenho que falar’, pensei comigo mesmo. ‘Aí, rapaziada. Volta aqui. Volta todo mundo. Volta!’, eu berrei. ‘Pessoal, isso aqui não tá legal. Que porr* é essa?’, eu disse. ‘Não teve a nossa música hoje no vestiário. Não fizemos o nosso pagode no ônibus. Cadê a resenha? Ninguém fez brincadeira. Porr*, assim não dá, não”, disse Adriano.
“Vamos perder pra nós mesmos?’, eu disse. A roda inteira olhou pra mim. Ninguém piscou. ‘Esses caras estão falando a semana toda que vão atropelar, que o Mineirão vai mostrar isso e aquilo’, eu continuei. ‘A gente vai ficar quieto depois? O Andrade, se a gente perder hoje, vai dar pra recuperar depois?’ O Andrade só balançava a cabeça. Eu entrei no meio da roda e comecei a berrar. ‘Foda-se quantas pessoas têm aqui hoje. Eles têm 60 mil? Isso aqui é Flamengo, caralh*. A gente tem 40 milhões do nosso lado”
Adriano Imperador, no capítulo
Em campo, Petkovic, que acabara de deixar o Atlético após passagem frustrada em 2008, e Maldonado marcaram gols no primeiro tempo, enquanto Adriano fez o terceiro já no fim do jogo, quando o Atlético já havia diminuído o placar que terminou em 3 a 1.
Momentos bem diferentes em 2025
Dezesseis anos depois, Atlético e Flamengo se enfrentarão na reta final do Campeonato Brasileiro, mas em momentos bem diferentes. A primeira mudança é o estádio: em 2009, o palco do clássico interestadual foi o Mineirão, mas o Galo “mudou de casa”, e o duelo ocorrerá na Arena MRV em 2025.
E o momento atleticano é bem distinto. Enquanto há 16 anos a equipe ainda perseguia o título do Brasileirão, o Atlético entrará em campo nesta noite de terça-feira (25/11), às 21h30, contra o rival carioca, na tentativa de evitar uma “ressaca”. Na 11ª colocação do torneio, o clube mineiro perdeu a final da Copa Sul-Americana para o Lanús no sábado (22/11).
Por outro lado, o Flamengo está bem mais próximo do título da Série A do que em 2009. Atualmente, a equipe rubro-negra já lidera o Campeonato Brasileiro, com quatro pontos a mais que o Palmeiras. Se vencer e o Verdão perder para o Grêmio, o Fla será campeão nacional em Belo Horizonte.