Técnico do Cruzeiro, Leonardo Jardim avaliou o desempenho da equipe na vitória por 2 a 1 sobre o Mirassol, neste sábado (29/3), no Mineirão, em Belo Horizonte, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Em geral satisfeito, tirou lições negativas e positivas do confronto. Ainda, negou que joga com quatro atacantes e explicou a decisão de escalar quarteto ofensivo.
Aspectos positivos
Na visão de Leonardo Jardim, o Cruzeiro viveu o melhor momento até os primeiros 35 minutos, período essencial para o desenrolar da partida. Apesar de ter iniciado o jogo nervoso, fez um gol aos 13 minutos, com Dudu, e outro aos 21, com Gabi.
Apresentamos algumas coisas boas e outras menos… Houve situações que gostei em termos de criação. A gente criou, fez dois gols. Um futebol mais apoiado, rápido, de transição mais rápida. O início é sempre um momento mais difícil… Não gostei nada dos últimos 10 minutos da primeira parte porque perdemos a pressão e deixamos o adversário controlar o jogo com a bola”, iniciou o comandante.
Aspectos negativos
Depois, a atuação celeste ganhou contornos mais problemáticos, segundo o treinador. Para ele, pesou o fato de os dois volantes iniciais, Walace e Matheus Henrique, estarem amarelados, e o pouco volume de jogo.
“Houve uma quebra. Primeiro, nossos dois volantes amarelados com dificuldade de pressionar. E esses são sempre os jogadores essenciais na manobra da equipe, principalmente em termos de pressão. Os dois deixaram de pressionar, a equipa perdeu a intensidade, e o adversário aproveitou para ter os outros 10 minutos”, continuou.
O intervalo mencionado por Leonardo Jardim diz respeito à evolução do Mirassol, que se lançou ao ataque, conseguiu um pênalti – defendido por Cássio – e diminuiu já nos acréscimos, graças a cabeceio de Lucas Ramon.
Estabilidade conquistada
Os 15 minutos de descanso não foram suficientes para a Raposa recuperar o fôlego. Diante deste cenário, o comandante optou por acionar Matheus Pereira, clamado pela torcida. Na própria concepção, as mudanças contribuíram para certa estabilidade, mesmo que tenham levado menos perigo ao adversário.
“Aos 20, 30 minutos, quando eu percebi que não estava conseguindo ter volume de jogo ofensivo, coloquei os jogadores para ter mais a posse e permitir que a equipa circulasse mais a bola. Segundo período mais controlado, mesmo menos agressivo em termos ofensivos, que é normal, perdemos o Kaio, mais de profundidade, colocamos o Mateus, mais de construção, equilibramos a equipe”, justificou.
Leonardo Jardim ainda reconheceu a postura do Mirassol e deu parabéns ao adversário pela “atitude”. Argumentou que se trata de uma equipe com ritmo de jogo por ter enfrentado grandes clubes do cenário nacional no Campeonato Paulista. No fim da análise, concluiu: “Vamos lá, começamos com três pontos que era o essencial”.
Cruzeiro ‘não joga’ com quatro atacantes
Principalmente no início do primeiro tempo, os quatro atacantes escalados por Leonardo Jardim (Dudu, Kaio Jorge, Gabi e Wanderson), foram responsáveis por abafar a saída de bola do Mirassol. O treinador explicou que utilizá-los tem um ponto positivo principal: a pressão.
No entanto, negou que joga com quatro atacantes, já que, na visão dele, nem todos ocupam a posição. Para o comandante, Kaio Jorge e Gabi carregam o status, diferentemente de Wanderson e Dudu, chamados de ‘meias’: “Os atacantes, em Portugal, são o Kaio e o Gabriel. O Dudu e o Wanderson são meias, que aqui falam em pontas, mas não são atacantes. A gente joga com quatro meias e não com quatro atacantes”.
A escalação do quarteto para os próximos compromissos dependerá da intenção do treinador e do estilo de jogo do adversário. Com todos, o time ganha poder de pressionar. Sem eles, alcança índices maiores de posse de bola.
“Podemos jogar com um atacante, se jogarmos com um meia ofensivo, jogamos com um jogador que deixa ali entre as linhas e permite equilibrar mais a equipe. Normalmente é mais posse de bola, mas perde logo na pressão, porque é diferente pressionar com dois ou pressionar só com um jogador na frente”, finalizou.
Próximos jogos do Cruzeiro
O Cruzeiro volta a campo nesta terça-feira (1º/4), quando viaja ao Estádio 15 de Abril, em Santa Fe de la Vera Cruz, na Argentina, para enfrenta o Unión de Santa Fe, às 19h, pela primeira rodada do Grupo E da Copa Sul-Americana. A próxima partida pelo Brasileiro está marcada para 6/4 (domingo), contra o Internacional, às 18h30, no Beira Rio, em Porto Alegre.