O caso de injúria racial envolvendo o meio-campista Miguel Ángel Terceros Acuña, o Miguelito, do América, é investigado pela Polícia Civil do Paraná.
O jogador boliviano, de 21 anos, foi preso em flagrante nesse domingo (4/5) depois da partida diante do Operário, válida pela sexta rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.
O crime teria ocorrido ainda no primeiro tempo, no Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa, e teve como vítima o atacante Allano.
De acordo com o delegado Gabriel Munhoz, responsável pelo caso, tanto a vítima quanto uma testemunha relataram com clareza a injúria racial em depoimento prestado na delegacia logo após o confronto entre Operário e América.
“Inicialmente, ouviu-se a vítima [Allano], ela relatou com riqueza de detalhes o que teria acontecido. Afirmou categoricamente ter ouvido a ofensa racial proferida pelo jogador Miguelito. Também foi ouvida a testemunha, que seria o capitão do Operário, o jogador Jacy. Ele estava ali próximo ao lance e também afirma que pode ouvir claramente o que disse Miguelito”, destacou o delegado da 13ª subdivisão policial de Ponta Grossa.
Segundo Munhoz, uma imagem da transmissão oficial ajuda a contextualizar a cena, mesmo sem captar o exato momento da fala de Miguelito.
“É possível ver pela imagem da transmissão oficial que logo após essa ofensa ter sido proferida, o jogador Allano vai para cima, tenta tirar satisfações com o Miguelito, inclusive, tanto a vítima como a testemunha afirmam que logo após o Miguelito perceber que teria falado essa ofensa racista, ele tentou desconversar, mas que foi possível ouvir de forma nítida e clara a ofensa racial”, salientou.
Buscas por imagens de outros ângulos
A Polícia Civil trabalha agora para reunir novas provas que possam fortalecer a investigação. “Em que pese as imagens oficiais da transmissão não captarem o momento em que ele [Miguelito] vira e fala, pois estava de costas para a câmera, tanto a Polícia Civil quanto o próprio advogado do Operário também já entraram em contato com os canais responsáveis para tentar obter uma imagem de outro ângulo que comprove essa fala sendo dita”, ressaltou o delegado.
Além da transmissão oficial, a polícia tenta localizar registros feitos por torcedores que possam ter captado o momento do suposto crime. “Também vai ser averiguado se algum outro torcedor e se tem também uma imagem não oficial para corroborar com o que já se tem. Mas diante do relato da vítima e da análise do contexto da imagem oficial que dá para ver realmente que o jogador Miguelito passa pelo Allano, vira e profere algum tipo de ofensa, confirmada pela testemunha a ofensa de cunho racial, foi dada voz de prisão em flagrante para o jogador”, disse.
“O inquérito vai ser finalizado nos próximos dias, eventualmente com as imagens que corroborem com o que já se tem obtido. Uma vez que se trata de um crime com uma pena de dois a cinco anos de reclusão, o jogador está aguardando detido até a audiência de custódia”.
A reportagem de No Ataque apurou que o América monitora de perto a situação de Miguelito com um advogado desde a madrugada desta segunda-feira (5/5), no Paraná.
A delegação com os demais jogadores retorna a Belo Horizonte, mas representantes do clube seguirão em Ponta Grossa.