FUTEBOL FEMININO

Marta vai jogar a Copa? Arthur Elias brinca ao revelar ‘conversas rápidas’ e projeta renovação

Há 24 anos na Seleção Brasileira, Marta pode disputar a sétima Copa do Mundo da carreira; quando deixar a equipe, processo de renovação se intensificará

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Marta iniciou a trajetória na Seleção Brasileira aos 16 anos, em 2002. Passaram-se 24 anos e a atacante segue como um dos principais nomes da equipe nacional. Não só pelos marcos, como as três medalhas de prata nos Jogos Olímpicos (2004, 2008 e 2024) e o vice na Copa do Mundo de 2007, mas também pelo momento. A dona da camisa 10 permanece em alta no Orlando Pride, dos Estados Unidos, e, recentemente, em agosto de 2025, decidiu o título da Copa América – o quarto da carreira.

A pouco mais de um ano do Mundial de 2027, a ‘pergunta do milhão’ é: ela o disputará? Em entrevista ao Olimpicast, do No Ataque, o técnico Arthur Elias brincou sobre o tema ao revelar ‘conversas rápidas’. O comandante também projetou o crescimento de outros nomes na Seleção Brasileira, o que configuraria uma passagem de bastão no quesito reconhecimento.

Arthur Elias revela conversas com Marta

O mistério que envolve Marta e Copa do Mundo será resolvido apenas no próximo ano, isso porque nem a atacante tem certeza sobre o futuro no futebol. Prova disso é a aposentadoria que ‘não deu certo’: em abril do ano passado, a atleta disse que se retiraria da Seleção Brasileira em 2024, o que, claramente, não ocorreu. Agora, a esperança da torcida, da comissão técnica e das companheiras é que a história com a camisa amarela dure pelo menos mais uma temporada.

“Seria muito simbólico e fantástico a presença da Marta na Copa do Mundo no Brasil. Eu conversei com ela algumas vezes, mas é uma conversa muito rápida, porque ela me diz assim: ‘eu não sei o que vai acontecer’, e eu digo: ‘também não sei. Se você não sabe, eu também não sei’. Nossa conversa acaba ali (risos)”

Arthur Elias, técnico da Seleção Brasileira

O desejo do comandante é poder contar com Marta no Mundial. Entretanto, ele não quer que a equipe seja dependente da atacante, eleita seis vezes a melhor do mundo pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). Nesse contexto, Arthur Elias prefere adiar a preocupação e avaliar todo o cenário próximo da convocação final.

“Ela sabe que vai viver este ano, os critérios e como a Seleção Brasileira joga. Obviamente, há um desejo de contar sempre com a melhor jogadora de todos os tempos. Mas a Seleção não pode depender exclusivamente, ou seja, eu ficar tão preocupado com isso. Não é uma coisa que me preocupo. Quero só que a Marta esteja bem, esteja bem no clube. E aí, quando chegar perto da Copa, a gente vai tomar uma decisão. Vai depender muito do desempenho dela no clube, na Seleção, claro, ela é muito consciente disso”, continuou.

Ao finalizar o tema, o treinador soltou mais risadas: “Eu vejo que ela ainda vai precisar entrar em forma para a temporada, ver, assim como todas as jogadoras da liga americana, como vai ser o prazo até a primeira convocação. Mas certamente vai ser uma atleta que vai ficar convocada comigo. Tem sido decisiva, né? Agora, para a Copa, é isso: ela não sabe, eu não sei e todo mundo vai ficar sem saber até mais perto, não tem jeito (risos)”.

Aposentadoria de Marta força ‘renovação’

Por muitos anos, a Seleção Brasileira foi fortemente representada por um trio: Formiga, Cristiane e Marta. A primeira se aposentou em 2022 (participou de sete edições da Olimpíada – duas pratas – e de quatro da Copa do Mundo – um vice), a segunda segue em atividade no Flamengo, mas sem muito espaço na equipe nacional (esteve em quatro Jogos Olímpicos – duas pratas – e em cinco Mundiais – um vice), e a terceira é o elo entre o passado e o futuro da amarelinha.

Quando Marta se despedir da Seleção Brasileira, uma outra era, iniciada no momento em que Formiga e Cristiane se apresentaram pela última vez, se intensificará. O processo de renovação já tem alguns rostos, e muitos são essenciais nos times de Arthur Elias, como as atacantes Kerolin e Gio, as meio-campistas Duda Sampaio e Angelina, e a goleira Lorena. Segundo o comandante, não se trata de substitui-las, e sim criar novas histórias.

“Formiga, Cris e Marta são as melhores da história. Ninguém queria fazer essa renovação, tirá-las da Seleção. Acontece. O tempo vai passando e outras jogadoras vêm. E não necessariamente elas precisam ocupar o mesmo espaço, ter o mesmo destaque. Cada uma tem sua maneira de jogar, é uma mulher diferente uma da outra. Vão acontecendo esses destaques de forma natural. Na Olimpíada (2024), a gente teve jogadoras que se destacaram e foi muito legal quando voltei para o Brasil o pessoal falando das jogadoras, reconhecendo, muita gente em cima das atletas que estavam nas Olimpíadas”, iniciou.

‘O futebol mudou’

A nova Seleção Brasileira desfruta de um leque maior de opções, resultado do desenvolvimento da modalidade. Tal fato pode contribuir para que as idolatrias não estejam concentradas em uma mesma pessoa.

“Não é fácil ser uma Marta, uma Cristiane, uma Formiga. Não vai ser qualquer uma que vai ter esse tamanho em termos de reconhecimento. Elas estão lutando e treinando todos os dias por espaço. Todos os dias elas merecem nosso apoio, nosso reconhecimento e nossa confiança. E eu pretendo dar a todas. Isso é natural. O futebol mudou. Não é mais sempre as mesmas 11 jogadoras, um futebol que o público vai escalar da goleira até a ponta esquerda, como a gente fazia antes… Sabem que estou bem distante disso. Vai ser normal que tenham muitas jogadoras e que o público reconheça mais umas”, prosseguiu Arthur Elias.

O comandante reconhece a necessidade de títulos expressivos para que o processo de destaque de outras atletas seja acelerado: “O importante é a Seleção Brasileira ser vencedora. Quando a gente ganhar um grande título, a Olimpíada (prata em 2024) ajudou nisso, começar a ser uma Seleção vencedora, naturalmente essa idolatria, o reconhecimento vai vir. Não sei te dizer para quais, mas vai vir naturalmente, e que seja para um número grande, para a Seleção”.

Arthur Elias quer que o reconhecimento extrapole as quatro linhas: “E que seja para nos dar frutos ainda melhores do que estamos colhendo agora, nos dar ainda mais jogadoras, um país mais justo com as mulheres no futebol e fora dele, na sociedade. É isso que a gente busca”.

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