O ponta argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, se pronunciou na noite desta terça-feira (17/2) após ter sido acusado de injúria racial pelo atacante brasileiro Vini Jr., do Real Madrid.
Horas antes, o estádio da Luz, em Lisboa, foi palco de uma confusão generalizada entre jogadores e integrantes das comissões técnicas. Vini acusa Prestianni de tê-lo chamado de “mono” (“macaco” em espanhol).
Em mensagem publicada nas redes sociais, o jogador argentino nega ter ofendido o camisa 7 e diz ter recebido ameaças de jogadores do Real Madrid.
“Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas ao jogador Vinicius Júnior, que lamentavelmente interpretou mal o que crê ter ouvido. Jamais fui racista com ninguém e lamento as ameaças que recebi dos jogadores do Real Madrid”, publicou.
Também nas redes sociais, o Benfica corroborou a fala de Prestianni e demonstrou apoio ao jogador. “Juntos, ao teu lado”, publicou o clube.
Juntos, ao teu lado. pic.twitter.com/RLxQ7Vm0W9
— SL Benfica (@SLBenfica) February 18, 2026
Mbappé diz ter ouvido ofensas
A versão de Prestianni contrasta com as de Vini Jr. e do atacante francês Kylian Mbappé, companheiro do brasileiro no Real Madrid.
“Você é um puto racista! É um puto racista!”, gritou Mbappé, como captaram as câmeras da Movistar+ ainda durante a partida.
Mbappé, que estava próximo dos dois no momento da confusão, reitera a versão de Vini e diz que Prestianni chamou o brasileiro de ‘macaco’ cinco vezes.
“Aconteceram muitas coisas (em campo), é preciso falar com calma porque as pessoas precisam entender bem o que aconteceu. Vini fez um gol, começou a dançar, e as pessoas ficaram bravas. Isso é normal no futebol, acontece e vai voltar a acontecer. Depois teve um pouquinho de tensão da equipe do Benfica com o Real Madrid, e isso pode acontecer, é Champions”, iniciou o francês, em entrevista pós-jogo.
“Depois o número 25 (Prestianni), não quero falar o nome dele porque ele não merece, começou a dizer palavras inaceitáveis. E depois meteu sua cara dentro da camisa para que as câmeras não captassem o que ele dizia e disse cinco vezes que Vini é um macaco. Eu, Vini e muitos jogadores do Real Madrid perdemos o controle”, seguiu.
Pronunciamento de Vini Jr.
Vini Jr. também se pronunciou sobre o caso. Em uma publicação no Instagram, o camisa 7 chamou racistas de “covardes” e criticou a eficácia do protocolo antirracista.
Leia a mensagem de Vini Jr.:
“Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos.
Mas, eles têm, ao lado, proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de punir. Nada do que aconteceu hoje é novidade na minha vida e da minha família.
Eu recebi cartão amarelo por comemorar um gol. Ainda sem entender o porquê disso. Do outro lado, apenas um protocolo mal executado e que de nada serviu.
Não gosto de aparecer em situações como essa, ainda mais depois de uma grande vitória e que as manchetes têm que ser sobre o Real Madrid, mas é necessário”
Entenda o caso
A vitória do Real Madrid por 1 a 0 sobre o Benfica nesta terça-feira (17/2) ficou marcada por um episódio lamentável. Pouco depois de fazer um golaço, o atacante brasileiro Vini Jr. acusou o ponta argentino Gianluca Prestianni, do clube português, de injúria racial.
Aos quatro minutos do segundo tempo, Vini marcou um belíssimo gol para decretar a vitória madridista no Estádio da Luz, em Lisboa, capital de Portugal, pela partida de ida dos playoffs da Champions League. Na comemoração, o brasileiro dançou na bandeirinha de escanteio, e o zagueiro argentino Otamendi, do Benfica, foi cobrá-lo.
O árbitro Benoît Bastien (França), então, deu cartão amarelo ao jogador do Real Madrid por desentendimento com Prestianni e comemoração em frente aos torcedores adversários. Em seguida, ouviu de Vini que o ponta do Benfica o teria chamado de ‘mono’ (‘macaco’ em espanhol) e ativou o protocolo antirracismo, que paralisou a partida por cerca de dez minutos.
O xingamento, segundo o brasileiro, ocorreu em um momento em que o argentino tapou a boca com a camisa. O VAR chegou a analisar o momento, mas não conseguiu identificar a injúria racial – a leitura labial ficou impossível.
Nesse período, um desentendimento geral tomou conta do gramado e das arquibancadas. Quando a bola voltou a rolar, aos 14 minutos, torcedores do Benfica passaram a vaiar e hostilizar Vini Jr, que chegou a levar uma garrafa de água no braço direito nos instantes finais.