O técnico português José Mourinho reagiu à acusação de injúria racial em Benfica x Real Madrid, nesta terça-feira (17/2), pela partida de ida dos playoffs da Champions League. No início do segundo tempo, o atacante brasileiro Vini Jr., do time espanhol, disse ter sido chamado de “macaco” pelo ponta argentino Gianluca Prestianni, da equipe portuguesa.
Em campo, o Real venceu o Benfica por 1 a 0, com um golaço do próprio Vini, no estádio da Luz, em Lisboa, capital de Portugal. Após a partida, Mourinho foi perguntado em entrevista se havia conversado sobre o caso com Prestianni e se o argentino estava arrependido.
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“Arrependido de quê?”, questionou de volta o treinador. “Olha, eu falei com os dois. Vinícius me diz uma coisa, Prestianni me diz outra coisa. Não quero ser vermelho (cor do Benfica) e dizer que creio 100% só em Prestianni, mas não posso ser branco (cor do Real) e dizer que o que Vinícius me disse é a verdade. Não posso, não sei”, declarou.
“A única coisa que sei é que até o gol é uma grande partida, com um Benfica que entrou muito bem e um Real fortíssimo, que depois começou a mudar o jogo a partir dos 30, 35 minutos”, seguiu Mourinho.
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Mourinho critica Vini Jr.
Vini Jr. marcou um golaço aos quatro minutos do segundo tempo para decretar a vitória do Real. Em seguida, o brasileiro vai até a bandeirinha de escanteio e dança na comemoração. Então, o zagueiro e capitão Otamendi, do Benfica, chega para tirar satisfação.
É em meio à confusão que, segundo Vini, Prestianni o ofende. Nesse momento, a arbitragem paralisa a partida e aciona o protocolo antirracismo.
Ao falar sobre o caso, Mourinho criticou a comemoração do brasileiro. “Vinícius marca um gol que só Vinícius ou Mbappé podem marcar. Depois, tem que ir (comemorar) nos ombros dos seus companheiros e não se meter com 60 mil pessoas neste estádio. É a única coisa que digo”, declarou, ao interpretar a celebração de Vini como provocação.
“Em quantos estádios isso aconteceu? Em quantos? Em quantos? É um jogador de outro mundo, que me encanta totalmente. Mas marca um gol como este e (deveria) ir aos ombros dos seus companheiros. Ali, acabou o jogo”, completou.
Entenda o caso
A vitória do Real Madrid por 1 a 0 sobre o Benfica nesta terça-feira (17/2), pela partida de ida dos playoffs da Champions League, ficou marcada por um episódio lamentável. Pouco depois de fazer um golaço, o atacante brasileiro Vini Jr. acusou o ponta argentino Gianluca Prestianni, do clube português, de injúria racial.
Aos quatro minutos do segundo tempo, Vini marcou um belíssimo gol para decretar a vitória madridista no Estádio da Luz, em Lisboa, capital de Portugal, pela partida de ida dos playoffs da Champions League. Na comemoração, o brasileiro dançou na bandeirinha de escanteio, e o zagueiro argentino Otamendi, do Benfica, foi cobrá-lo.
O árbitro Benoît Bastien (França), então, deu cartão amarelo ao jogador do Real Madrid pela comemoração. Em seguida, ouviu de Vini que o ponta do Benfica o teria chamado de ‘mono’ (‘macaco’ em espanhol) e ativou o protocolo antirracismo, que paralisou a partida por cerca de dez minutos.
O xingamento, segundo o brasileiro, ocorreu em um momento em que o argentino tapou a boca com a camisa. O VAR chegou a analisar o momento, mas não conseguiu identificar a injúria racial – a leitura labial ficou impossível.
Nesse período, um desentendimento geral tomou conta do gramado e das arquibancadas. Quando a bola voltou a rolar, aos 14 minutos, torcedores do Benfica passaram a vaiar e hostilizar Vini Jr, que chegou a levar uma garrafa de água no braço direito nos instantes finais.