O craque Ronaldinho Gaúcho teria recebido apoio de um narcotraficante enquanto esteve preso no Paraguai, em 2020, segundo mensagens às quais a Polícia Federal (PF) teve acesso. A informação foi revelada pela coluna de Fábio Serapião, no portal UOL.
De acordo com a coluna, as regalias recebidas por R10 foram churrasco e cerveja em troca de um autógrafo em uma camisa da Seleção Brasileira para o criminoso Marcos Silas Neves de Souza, conhecido como GT.
A confirmação foi feita pelo próprio GT em conversas registradas em seu celular, obtidas pela Polícia Federal por meio da Operação Downfall.
“Quando ele [R10] estava preso no Paraguai, cara, eu mandei lá onde ele tava, mandei lá churrasco, cerveja, com os esquemas que entra, certo que eles tavam tratando ele bem lá, mas como eu tinha um chefe que eu pago, aí o chefe lá mandou coisa minha lá. Aí eu já mandei duas camisetas e pedi para ele fazer uma dedicatória, né”, disse Marcos Silas a um advogado.
O narcotraficante disse que ligou para Ronaldinho e lamentou não ter tido a oportunidade de conhecê-lo na prisão.
“Até teve um dia lá que ele ligou lá, deu um oi e tal, né. Só que não deu boa, eu queria conhecer ele pessoalmente uma hora e tal, né, mas não deu muito boa ainda por enquanto”, afirmou, segundo as mensagens de celular.
Ronaldinho ficou preso por 32 dias em uma penitenciária do Paraguai por entrar no país com passaporte falso.
Já GT lidera um grupo responsável pelo envio de 5,2 toneladas de cocaína ao exterior entre 2019 e 2022, segundo a PF.
Defesa de Ronaldinho nega envolvimento
Em nota enviada ao UOL, a defesa de Ronaldinho nega qualquer envolvimento do craque com o narcotraficante e afirmou que ele não recebeu qualquer regalia na prisão.
“Ronaldo esteve acompanhado do irmão (Roberto) e foi assessorado presencialmente por este advogado e pelos advogados paraguaios contratados para o caso”, afirmou o advogado Sérgio Queiroz.
“Repete-se: Ronaldo não conhece Marcos Silas. Não recebeu nada desta pessoa.”
Sobre o possível autógrafo na camisa, Queiroz destacou: “Por ser pessoa pública, o Ronaldo cumprimenta pessoas e autografa camisetas no mundo todo; sendo impossível conhecer ou reconhecer todos os milhões de fãs com que se depara”.