Quatrocentos e quarenta e dois: esse é o número de jogos de Dejan Petkovic por clubes brasileiros na carreira profissional. Mesmo tendo nascido na antiga Iugoslávia, mais de 82% dos 538 jogos do sérvio como meio-campista foram no Brasil. Até por isso, ele ri, se diz o “gringo mais querido” do país e brinca com craques estrangeiros, como Juan Pablo Sorín, ídolo do Cruzeiro.
Petkovic foi entrevistado pelo No Ataque e falou sobre diversos temas. Aos 53 anos, o ex-armador segue morando no Brasil e deixou claro que nunca teve problemas de xenofobia no país. Ele defendeu Vitória, Flamengo, Vasco, Fluminense, Goiás, Santos e Atlético entre 1997 e 2011.
“Vocês sabem que eu não tenho nenhuma dificuldade de falar tudo que eu penso, e se tivesse me sentindo alguma vez ofendido pela xenofobia, eu ia falar, e nunca ne viram falar sobre esse tema, pois nunca aconteceu. Fui ofendido porque sou marrento, porque sou questionador, porque sou chato, mas ser chamado de gringo não acho que seja xenofobia, porque não acho pejorativo”, iniciou Petkovic.
“Me tornei o gringo mais querido do Brasil, ou estrangeiro mais brasileiro, como quiser [risos]. Eu estou brincando, mas cheguei ao Brasil através do Vitória, e o povo da Bahia é maravilhoso, então eu não tive [problemas em relação à xenofobia]”,
Petkovic, ex-meia sérvio
O ex-meio-campista foi lembrado pela reportagem que outros atletas poderia entrar na disputa desse posto de “gringo mais querido no Brasil”, como Juan Pablo Sorín. O ex-lateral argentino fez 127 partidas pelo Cruzeiro, identificou-se com a torcida celeste e se tornou um ídolo. Na resposta em tom de brincadeira, Petkovic até possibilitou perder esse lugar, porque estava garantido na estética.
“Ah, ganho na beleza [risos]. Posso perder na popularidade, mas na beleza eu ganho. Meu grande amigo Sorín! [risos]. Mas é verdade: tem outros estrangeiros que foram muito bem. Temos agora o Arrascaeta que está arrebentado, mas tivemos vários estrangeiros muito bons antes de mim, depois de mim e junto comigo”
Petkovic, em entrevista exclusiva ao No Ataque
Um problema do Brasil na época que Petkovic chegou
A relação de Petkovic com o Brasil começou em 1997, quando ele deixou a Espanha e foi contratado pelo Vitória. E ao falar sobre não ter sofrido xenofobia, o ex-meia se lembrou de algo do futebol brasileiro que o incomodou: o fato de que os jogadores não recebiam quantias financeiras relacionadas às negociações.
“Quando chego aqui, estranhei outra situação: em 1997, o jogador brasileiro era ‘escravo’. E eu falei: ‘Como é possível isso?’. Chego privilegiado, porque eu como sou de fora, eu não poderia ter esse tipo de contrato que chamo de escravidão, porque o jogador não poderia se transferir para outro clube. Tinha uma lei de passe”, frisou Petkovic.
“‘Peraí, não tem contrato? O jogador não recebe ao ir para outro clube? Onde existe isso?’. Isso logo foi mudado. Mas eram essas coisas que me incomodavam muito. Quando eu levava algumas vaias, xingamentos ou qualquer ofensa, eu encarava isso pelo lado profissional”
Petkovic, ex-meia de diversos clubes brasileiros
Esse é um dos trechos da entrevista exclusiva do No Ataque com Dejan Petkovic. Acompanhe o No Ataque nos próximos dias para novos conteúdos!