A janela de transferência do início do ano tem trazido uma nova visão sobre o mercado do futebol feminino. Entre retornos e novas contratações, três clubes se destacaram nas movimentações, segundo Arthur Elias, técnico da Seleção Brasileira Feminina. Em paralelo, a liga mexicana surgiu como grande investidora. O treinador comentou a escolha das atletas em se transferirem para times da América Central.
Em entrevista exclusiva ao Olimpicast, videocast do No Ataque, Arthur Elias destacou a atuação e três clubes. Os eleitos têm aparecido como potências e costumam estar à frente das grandes disputas.
“Vejo o Palmeiras, Corinthians e Cruzeiro, um pouco à frente, nisso tudo, nas contratações, na estrutura que já tem. Não à toa foram os clubes que mais venceram, que se destacaram no último ano. Acho que tem tudo para dar uma sequência, mas muito positivo a gente ter outros clubes também que estão crescendo. Times tradicionais como Ferroviária, São Paulo e também outros emergentes que estão vindo cada um no seu passo, mas evoluindo no futebol feminino”, falou.
Corinthians e Palmeiras vão protagonizar a decisão da Supercopa Feminina – o Timão foi campeão brasileiro, enquanto o Verdão venceu a Copa do Brasil. O Cruzeiro, que foi à final do brasileiro, disputará a Copa Libertadores pela primeira vez na história. O comandante da Seleção elogiou a postura dos clubes.
“Aqui no Brasil, fico feliz do mercado estar crescendo, do que os clubes estão fazendo, vendas, investindo para trazer algumas jogadoras. Quando acontece isso é porque as atletas estão seguras em termos contratuais com os clubes, e elas começam a ter opções. Os clubes também precisam tratar de forma cada vez mais profissional para seguirem sendo competitivos”, disse.
Investidas da liga mexicana
Nesta janela, a liga mexicana apareceu no cenário. O Cruzeiro negociou a zagueira Isa Haas por R$ 3 milhões com o América do México – ela tinha contrato até o fim de 2027. O clube também contratou a atacante Geyse, que estava no Gotham, dos Estados Unidos.
O Tigres, por sua vez, buscou a zagueira Mariza no Corinthians. A defensora não custou à nova equipe, pois tinha contrato com o Timão apenas até o fim de dezembro de 2025.
Arthur Elias garantiu que as atletas não perdem visibilidade – são três nomes visados pela comissão técnica em convocações.
“Ninguém está escondida da Seleção Brasileira, porque a gente vai buscar em todos os lugares, assistimos todos os jogos de todas as ligas. Liga saudita, liga turca, todos as ligas da Europa. A liga mexicana já uma liga muito forte, com muitas brasileiras.Vem se desenvolvendo, o nível de jogo está cada vez melhor. Estive duas vezes recentemente no México, então eu conheci proprietários, gestores, estruturas”, comentou.
Por fim, o treinador afastou qualquer dúvida em relação à evolução das jogadoras. Consolidadas na zaga da Seleção, Isa Haas e Mariza devem jogar a Copa do Mundo de 2027. Geyse, por sua vez, não foi convocada recentemente, mas acumula bons números com a Amarelinha – foi campeã da Copa América, em 2022, e também do Sul-Americano Sub-20, em 2018.
“É uma liga que tem tudo para crescer cada vez mais. Não acho que elas vão ser prejudicadas na sua evolução em relação a isso, muito menos em relação a observação da Seleção. A jogadora que escolhe onde vai jogar, onde ela acha que é melhor para ela, onde vai se sentir melhor, mais realizada. De maneira nenhuma essas jogadoras que foram para o México vão perder espaço na Seleção”, finalizou.