NO ATAQUE COM ARTHUR

Exclusivo: os planos de Arthur para ganhar chance com Ancelotti na Seleção Brasileira

Ex-América, lateral-direito do Bayer Leverkusen conversou com o No Ataque e falou sobre sonho de disputar a Copa de 2026

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O começo não foi fácil. Logo na primeira temporada na Alemanha, o lateral-direito Arthur sofreu uma grave lesão no tendão da coxa esquerda e pouco jogou pelo Bayer Leverkusen. Mas a chave virou, o ex-jogador do América evoluiu e se coloca como postulante a uma vaga na Seleção Brasileira.

Esse foi um dos temas da entrevista exclusiva do No Ataque com o atleta de 22 anos. Titular do clube alemão na maior parte dos jogos em 2025/2026, ele falou sobre a adaptação ao futebol europeu e como se preparou para viver a melhor temporada da carreira.

Arthur admite que uma das dificuldades iniciais foi o idioma. Ele não conseguiu se comunicar claramente com os companheiros no começo, mas passou a treinar quase que diariamente e aprendeu não só o alemão, mas também o inglês. 

Jogador do Leverkusen - (foto: Divulgação)
Arthur, jogador do Leverkusen(foto: Divulgação)

“Com o tempo eu fui perdendo o medo, ganhando segurança para poder falar. Aqui nos clubes eles disponibilizam um professor todos os dias da semana para que possamos ir, fazer a aula. Não é algo obrigatório, mas se o atleta tem o interesse e o desejo de aprender a língua ele (o professor) vai estar lá”, relembrou.

“E foi o que eu fiz, aproveitei o embalo que eu já tinha feito, de ser o meu primeiro país fora como jogador profissional, mudando minha vida, rotina. Sempre soube que se eu me adaptasse o mais rápido possível fora de campo ia me ajudar também dentro de campo. E isso aconteceu”, disse.

O lateral-direito também teve que se adaptar ao ritmo de jogo da Bundesliga (Campeonato Alemão). O brasileiro conta que uma das grandes diferenças para o futebol brasileiro é o tempo para pensar na próxima jogada.

“E aqui o jogo chega muito rápido, os adversários chegam muito rápido, então temos que estar ligados o tempo, com e sem bola. Eu demorei umas semanas até me adaptar na pré-temporada, mas com o tempo eu fui entendendo o estilo de jogo, o que o futebol alemão precisava, para que eu pudesse me adaptar para não sofrer mais na frente e poder me sentir leve para jogar meu futebol e fazer o que eu sei da melhor forma possível”, explicou.

Melhor temporada da carreira?

Com a grave lesão, Arthur disputou apenas cinco jogos na primeira temporada e viu “de longe” os companheiros fazerem história pelo Leverkusen, com os títulos invictos do Campeonato Alemão e da Copa da Alemanha.

No ano passado, ele foi utilizado em 28 oportunidades, mas apenas 10 como titular. E o início da atual temporada já mostrou o potencial de ser diferente para o cria do Coelho.

O primeiro gol foi logo na estreia. Arthur fez o segundo do Leverkusen na goleada por 4 a 1 sobre o Sonnenhof Großaspach, na Wirmachendruck Arena, em Aspach, pela primeira fase da Copa da Alemanha. No sábado (31/1), ele voltou a balançar a rede, dessa vez na vitória por 3 a 1 sobre o Eintracht Frankfurt, pela Bundesliga. 

Além dos tentos, ainda contribuiu com três assistências em 21 jogos, sendo 15 como titular. Arthur acredita que o bom desempenho é fruto de trabalho e confiança.

“Até recuperar a confiança é um processo. Quem está no futebol sabe que demora um pouco, porque a confiança muda muito no jogo, para que você possa fazer ações bem sucedidas e até contar com a sorte durante o jogo”, opinou.

“E esse ano eu tenho enxergado ele como um ano de mudanças, um ano no qual me preparei melhor do que nos outros, tanto mentalmente quanto fisicamente para que eu pudesse aproveitar ao máximo sem lesões, aproveitando cada segundo dos treinos e dos jogos, para que eu pudesse demonstrar meu futebol”, avaliou.

Arthur, lateral-direito do Bayer Leverkusen - (foto: Pau Barrena / AFP)
Arthur, lateral-direito do Bayer Leverkusen(foto: Pau Barrena / AFP)

Sonho de Seleção Brasileira

Com a boa fase, Arthur não esconde o desejo de ter uma nova oportunidade na Seleção Brasileira. Ele já foi convocado por Ramon Menezes em março de 2023, quando entrou em campo no fim da derrota do Brasil por 2 a 1 para Marrocos, em amistoso disputado no Estádio Ibn Batouta, em Tânger, no Marrocos.

Com Carlo Ancelotti, os laterais-direitos que receberam oportunidade foram Wesley, da Roma, Vanderson, do Monaco, Vitinho, do Botafogo, e Paulo Henrique, do Vasco – além do zagueiro Éder Militão, já utilizado na posição. Apesar da forte concorrência, Arthur sonha com uma oportunidade na Copa do Mundo de 2026.

“É um sonho. Eu acredito que para todos que jogam futebol estar em uma Copa do Mundo é uma grande realização, então eu trabalho para isso sim. A gente observa sim os atletas que têm passado, aproveitado as oportunidades, que têm tido uma sequência maior nessas convocações”.

Arthur, lateral-direito do Brasil

Como pontos fortes, Arthur destaca a capacidade de utilizar os pés direito e esquerdo com a mesma qualidade. Ele espera manter o nível para pelo menos gerar uma dúvida no treinador da Seleção Brasileira.

“Tenho essa ambidestria que me facilita jogar pelo lado direito e esquerdo, isso é um ponto forte que desde que eu jogo futebol me destacou. Eu enxergo sim como uma oportunidade”, avaliou.

“Temos essa preparação em março, depois é a Copa em si. Tenho buscado aproveitar essa oportunidade aqui, entregar o meu melhor no clube para que eu possa chamar atenção do professor Ancelotti, colocar uma pulga na orelha dele e possa agregar tanto na Seleção, com as qualidades que eu tenho, para que eu possa realizar esse sonho”, projetou.

Busca por evolução e inspiração em alas do Leverkusen

Logo na primeira temporada, Arthur teve duas grandes inspirações para evoluir ofensivamente no Leverkusen. Titulares nas alas, Frimpong, na direita, e Grimaldo, na esquerda, tinham papel importante nos ataques do time comandado por Xabi Alonso.

O primeiro fez 14 gols e deu 10 assistências, enquanto o segundo contribuiu com 12 bolas nas redes e 18 passes para companheiros marcarem. Lesionado, o lateral brasileiro observou de perto para evoluir nesse aspecto. 

“Essa questão da ofensividade foi algo que tive que adaptar ao meu jogo aqui, porque jogamos mais como alas, não de fato um lateral como vemos no Brasil. Então até me acostumar com isso e observando eles, a ofensividade que tinham, a confiança de ir para o ataque sem medo, eu fui conquistando isso pouco a pouco”, disse o jogador, que relembrou a atuação como atacante na base.

“Eu tive sorte porque quando era mais novo jogava de atacante, então tinha um pouco dessa ânsia de estar sempre no ataque, participando de jogadas ofensivas”, contou.

A partir disso, Arthur tem como um dos grandes objetivos evoluir ainda mais ofensivamente, mas sem perder a qualidade defensiva.

“E como isso tem sido bastante exigido no nosso estilo de jogo é algo que adquiri confiança para que pudesse ganhar mais duelos ofensivos, participar mais de cruzamentos, assistências, chances de gol, mas também equilibrar com o lado lateral mais defensivo que temos no Brasil”, comentou. 

Foco na Europa

Nesse cenário, Arthur chegou a receber sondagens de times brasileiros, mas não visa um retorno tão cedo. Com contrato até junho de 2028, o brasileiro espera ter sequência no Bayer Leverkusen e construir uma carreira de destaque no futebol europeu.

“É algo bem difícil de se falar, porque como eu disse, meu foco está total na minha carreira no Leverkusen e nesses anos que quero ter na Europa, então pensar em uma volta ao Brasil, pensar em onde voltar para o Brasil é muito cedo para falar ainda”, finalizou o lateral.

Veja a entrevista completa com Arthur

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