O Atlético lançou a regravação do hino nesta segunda-feira (24/3), mas a ideia é antiga. Responsável principal pela iniciativa, Fernando Furtado conversou até com Cássia Eller, em 2001, antes de dar início à produção. Em entrevista exclusiva ao No Ataque, o produtor musical revelou bastidores e a linha do tempo que gerou três novas versões da música.
Um dos grandes nomes da música brasileira, a ex-cantora tinha grande identificação com o Galo. Torcedora do clube, Cássia levava adesivos e até se apresentou com a camisa preta e branca durante um show em Belo Horizonte. Ela quase se envolveu ainda mais com a instituição, mas morreu antes de poder regravar o hino, em dezembro daquele ano.
“O começo disso foi em 2001, em uma conversa que tive com a Cássia Eller de regravar o hino do Atlético. Nós tínhamos a ideia de gravar o hino porque nenhuma gravação era do Atlético, sempre de terceiros. Como a obra do Vicente Motta (compositor e escritor da letra) é um hino em homenagem ao Atlético, não é o hino do clube, várias gravações foram feitas durante esse tempo”, relembrou Fernando.
A identificação no hino
A principal gravação do hino do Atlético foi gravada pela Coro e Orquestra Cid, que depois se popularizou como Flabanda. O conjunto também ficou marcado por cantar outros hinos do futebol brasileiro, como do próprio Flamengo, do Cruzeiro, entre outros. Inclusive, os créditos do canto alvinegro no Spotify são dados à banda, o que gerou uma reflexão a Fernando.
“Isso não aconteceu em 2001 porque ainda não tinha Spotify para isso ficar explícito, e não deu tempo de fazer isso com a Cássia porque ela faleceu. Agora com essas plataformas ficou evidente que o hino que é tocado é uma gravação da Flabanda. Começamos a conversar com o clube para ter uma gravação não só gravadas por atleticano, mas de patrimônio do clube”, completou.
A ideia principal do Atlético, conduzida por Fernando, era ter os direitos fonográficos do hino. Além disso, um dos objetivos era que a música fosse cantada por pessoas que se identificam com o clube.
“Não me incomoda que um dia uma banda do Flamengo tenha cantado o hino, me preocuparia se fosse o contrário. É legal que os clubes tenham essa versão com os próprios torcedores, características. A versão da Flabanda tem um sotaque carioca, não de um mineiro”, opinou Fernando.
Dono dos royalties do hino, o Atlético optou por encaminhar as receitas geradas pelo hino ao Instituto Galo. Segundo apurou o No Ataque, ainda não há projeção de valores porque o clube ainda finaliza o processo de assinatura de contrato com a empresa que faz essa redistribuição.
Os bastidores da gravação
Fernando voltou a entrar em contato com o Atlético apenas em 2023, e as gravações tiveram início no fim daquele ano. Após a aprovação do Galo, o produtor musical contou com apoio financeiro do Clube dos 113 (formado por apoiadores do Instituto Galo por meio de cotas mensais) para arcar com o custo do projeto.
Neste cenário, o Atlético selecionou 25 pessoas ligadas à instituição para representar a torcida no canto da música. Os nomes não foram divulgados porque o clube entende que é importante todos se identificarem com o hino.
“Nós anotamos essas 25 pessoas em um coletivo chamado Canto da Massa. Tem cinco cantores principais que são mais experientes com gravações e estão na linha de frente, que já gravaram discos, tem mulher no meio. Os outros 20 são pessoas ligadas ao Atlético, ou por ter fundado alguma torcida organizada ou por ter participado de alguma forma do cotidiano do Atlético”, explicou Fernando.
As gravações foram realizadas em estúdios de São Paulo e Belo Horizonte. A banda Jota Quest, inclusive, cedeu um dos locais sem custo para o clube.
O responsável pela direção foi Dudu Marote, produtor de músicas de grandes artistas como Emicida, Iza, Baiana System, Skank, Adriana Calcanhoto, Pato fu e Jota Quest. O engenheiro mineiro Fili Filizzola masterizou (passo final no processo de pós-produção do áudio) o hino do Galo em Los Angeles, nos Estados Unidos.
As versões diferentes
O Atlético lançou três versões diferentes: estádio, orquestra e instrumental. Segundo Fernando, o objetivo era ampliar as possibilidades de uso da torcida e do clube.
“Uma é instrumental, mais sinfônica, sem voz. A versão orquestra que segue esse arranjo sinfônico mas com pessoas cantando, fica um clima mais institucional. E a versão estádio é quatro segundos mais rápida do que as outras porque buscamos aproximar uma interpretação mais próxima do que a torcida canta no estádio, já que cantam um hino mais acelerado”, explicou.
“Nós não quisemos reinventar a roda, tem uma versão muito parecida com as anteriores. Fizemos com uma qualidade que as outras não têm. Se você ouvir no fone as outras, essa é muito mais bonita de som, de arranjo”, completou.
Atlético planeja outras gravações
E o Atlético não deve parar por aí. O produtor musical já se movimenta nos bastidores para, em breve, gravar outras versões de cantos da torcida do Atlético.
“A ideia futuramente é fazermos novas versões de músicas ligadas ao Atlético. Essa versão do hino é um pontapé inicial disso. Junto ao Clube dos 113, pretendemos disponibilizar várias versões de músicas ligadas ao Atlético, criando esse conteúdo para ficar em uma página do Atlético no Spotify com receitas voltadas à filantropia do Galo”, finalizou.