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Atlético: Petkovic relembra relação com Kalil e vez em que quase ‘chutou o balde’

Dejan Petkovic falou sobre a passagem pelo Atlético em 2008, comentou a relação com Alexandre Kalil e ainda destacou um momento crucial

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Foram 32 jogos e cinco gols com a camisa alvinegra, mas a passagem de menos de um ano de Dejan Petkovic no Atlético contou com algumas histórias curiosas. Aposentado e aos 53 anos, o ex-meia concedeu uma entrevista exclusiva ao No Ataque e deu detalhes do centenário do Galo, que foi comemorado em 2008 e teve o sérvio como “presente” à torcida.

Reforço para a comemoração dos 100 anos do Atlético em 25 de março de 2008, Petkovic relembrou o clima na Cidade do Galo, a relação com o presidente Alexandre Kalil, que assumiu no fim da temporada, e a vez em que quase “chutou o balde”.

‘A massa foi extraordinária’, diz Petkovic sobre torcida do Atlético

A relação entre clube e jogador foi de pouco mais de oito meses, mas serviu para confirmar uma impressão que Dejan Petkovic tinha sobre a torcida do Atlético. No futebol brasileiro desde 1997, o sérvio havia jogado como visitante em cinco oportunidades – duas pelo Vasco e uma por Flamengo, Santos e Vitória – antes de rumar à Cidade do Galo e já conhecia a força da torcida alvinegra.

“Gostei [de jogar no Atlético] porque, realmente, a massa foi extraordinária. Eu sabia disso”, iniciou Petkovic na análise sobre ter jogado no clube alvinegro de Belo Horizonte em 2008. Porém, os problemas enfrentados pelo clube justamente ao completar 100 anos foram citados logo na sequência.

“Mas foi uma pena. Por ser uma data tão simbólica, com expectativas e as promessas para a torcida que foram fora do comum… A diretoria da época poderia ter cumprido, mas nós ficamos dois meses sem um presidente, com muitos problemas dentro do clube. […] Depois, o Kalil assume no final, e a gente consegue passar um pouco pelas turbulências”

Dejan Petkovic, ex-meia sérvio

Mas e o time do Atlético? Petkovic fez questão de elogiar os ex-companheiros – eles terminaram o Brasileirão na 12ª colocação, com 48 pontos e com vaga na Copa Sul-Americana -, mas citou novamente as questões estruturais. “Acho que até tivemos um time razoável, né? Foi pelos jogadores, e não pelas muitas mudanças e talvez falta de competências de alguns diretores de administrar na gestão. E isso criou ainda mais dificuldade”, disse.

A vez em que Petkovic quase ‘chutou o balde’ no Atlético

A relação de Dejan Petkovic e Atlético durou apenas a temporada de 2008, mas poderia ter sido ainda mais curta. O gringo contou ao No Ataque uma história em que quase “chutou o balde” e deixou “as coisas feias”. O problema era conectado com o ambiente extracampo e algumas cobranças feitas em meio aos problemas na direção.

“Tive, particularmente, um episódio que… quem estava lá sabe. Se eu tivesse chutado o balde, as coisas seriam feias. Mas eu falei: vou sustentar, vou fazer a minha parte com condição que não falassem mais nada comigo fora das quatro linhas. Eu aceito tudo dentro do campo, fora do campo não, porque eles não tinham certos conhecimentos para poder questionar algumas coisas”

Dejan Petkovic, histórico jogador da década de 2000

Mesmo sem dar mais detalhes do que ocorreu, Petkovic contou como resolveu a situação. “Depois desse [caso] aí, disse: ‘Pô, vocês podem decidir. Eu aceito toda cobrança dentro das quatro linhas. Fora das quatro linhas, não. E se for assim, beleza, nenhum problema. Estou aqui para ajudar, não me importa se jogar ou não jogar, acato todas as decisões dentro das quatro linhas”.

“Mas fora não’. E aí quem estava lá na época disse: ‘Beleza, por nós, a gente acha justo’. E foi repassado isso e aí não tive mais problema. Não tive mais problema, joguei, ajudei e acabou”, ressaltou Pet.

Crise no Atlético e relação de Petkovic com Kalil

Dejan Petkovic foi uma contratação importante do Atlético, mas esteve em um dos anos mais caóticos da história do Atlético. Na temporada seguinte ao retorno à elite do Campeonato Brasileiro – caiu em 2005 e disputou e venceu a Série B em 2006 -, o Galo não conseguiu ter estabilidade e viveu uma enorme crise em meio à tentativa de comemoração do centenário.

Presidente à época, Ziza Valadares enfrentou diversos problemas durante a temporada – incluindo até supostas ameaças de morte e invasão de torcedores na sede – e não terminou o ano no cargo. Ele deixou o posto mais importante da hierarquia atleticana em setembro de 2008, e o Galo ficou sem um grande gestor por quase dois meses. Até que Alexandre Kalil surgiu.

O histórico gestor atleticano foi eleito em 30 de outubro de 2008 e assumiu o cargo imediatamente, justamente pela renúncia do antecessor. E isso foi muito bem visto por Petkovic, que relembrou a melhora evidente na administração do clube na entrevista ao No Ataque.

“Quando chegou o Kalil, pararam [os problemas]. A gente fez alguns jogos [bons] e tirou da ameaça para a Série B que estava. Fizemos alguns jogos melhores e sobressaímos, né? Mas eu acho que, sendo o centenário, poderia ser um cenário melhor preparado, porque seria melhor não ter brigas, mudanças de gestões, ausência de presidente… Tudo isso que aconteceu complicou bastante a atuação dentro de campo. O ambiente quando está ruim, ele afeta muito, afeta muito dentro das quatro linhas”

Dejan Petkovic, ex-armador

Na sequência, Pet foi questionado da relação do Kalil, mas preferiu não dar tantos detalhes de como foi a convivência com o presidente que viria a vencer a Copa Libertadores de 2013 no comando do Galo. “Não tinha muita relação, mas depois que ele chegou tive reconhecimento da importância do meu comportamento profissional. Ele mesmo reconheceu. Mas não tenho amizade. Não tinha isso, mas, quando chegou, reconheceu porque provavelmente soube o que estava acontecendo”, concluiu o sérvio.

Esse é um dos trechos da entrevista exclusiva do No Ataque com Dejan Petkovic. Acompanhe o No Ataque nos próximos dias para novos conteúdos!

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