Há exatamente um ano, em 23 de janeiro de 2025, Paulo Bracks foi anunciado como CSO (Chief Sports Officer) do Atlético. Após uma temporada repleta de desafios, reformulação no elenco e troca de técnicos, o executivo conversou com o No Ataque de forma exclusiva, avaliou o trabalho no Galo e fez um pedido à torcida.
Bracks chegou ao clube para comandar todo o departamento de futebol, sendo o principal responsável pelo futebol profissional (masculino e feminino) e base. Ex-goleiro e ídolo alvinegro, Victor Bagy foi seu braço direito ao longo de 2025, mas deixou o clube no fim do ano passado.
Ao longo desse período, o CSO teve que tomar decisões importantes. Ele participou da formação dos elencos das duas temporadas, com renovações, compras e saídas. Ao todo, foram quase 30 movimentações que envolveram negociações diretas com outros clubes.
Além disso, teve que fazer o “meio-campo” entre elenco, comissão técnica e gestores, sendo o principal elo entre os jogadores e a diretoria.
Contratações do Atlético na ‘Era Bracks’
- Cuello (atacante) – Athletico-PR*
- Caio Paulista (lateral-esquerdo) – Palmeiras*
- Rony (atacante) – Palmeiras*
- Iván Román (zagueiro) – Palestino (Chile)*
- João Marcelo (atacante) – Guarani*
- Vitor Hugo (zagueiro) – Bahia*
- Dudu (atacante) – sem clube
- Biel (atacante) – empréstimo junto ao Sporting (Portugal)
- Alexsander (volante) – Al-Ahli (Arábia Saudita)
- Reinier (meia-atacante) – Real Madrid (Espanha)
- Ruan (zagueiro) – empréstimo junto ao Sassuolo (Itália)
- Renan Lodi (lateral-esquerdo) – sem clube
- Maycon (meio-campista) – Shakhtar Donetsk (Ucrânia)
- Alan Minda (atacante) – Cercle Brugge (Bélgica)
- Ángelo Preciado (lateral-direito) – Sparta Praha (República Tcheca)
- Victor Hugo (meio-campista) – Flamengo
- Mateo Cassierra (atacante) – Zenit (Rússia)
Saídas do Atlético na ‘Era Bracks’*
- Otávio (volante) – Fluminense
- Alisson (atacante) – Shakhtar Donetsk (Ucrânia)
- Bruninho (meia) – FC Karpaty (Ucrânia)
- Deyverson (atacante) – Fortaleza
- Rubens (lateral-esquerdo/volante) – Dínamo de Moscou (Rússia)
- Matheus Mendes (goleiro) – Alverca (Portugal)
- Igor Rabello (zagueiro) – Fluminense
- Bruno Fuchs (zagueiro) – Palmeiras
- Guilherme Arana (lateral-esquerdo) – Fluminense
- Isaac (atacante) – Verona (Itália)
*As negociações foram conduzidas principalmente por Victor Bagy, então diretor de futebol de clube
**Apenas jogadores negociados diretamente com outros clubes
****Júnior Santos foi anunciado pouco depois da chegada de Paulo Bracks, mas o executivo não teve participação na contratação do atacante
Os resultados do Atlético em 2025
O CSO não participou da escolha de Cuca para o comando técnico, mas foi um dos responsáveis por decidir a demissão do treinador em agosto do ano passado. Com isso, o clube optou pela contratação do técnico Jorge Sampaoli.
Sob o comando do argentino, o Galo chegou à final da Copa Sul-Americana, mas perdeu nos pênaltis para o Lanús-ARG. Além disso, terminou em 11º lugar no Campeonato Brasileiro e foi eliminado nas quartas de final da Copa do Brasil. Ainda com Cuca, o alvinegro venceu pela sexta vez consecutiva o Campeonato Mineiro.
O título não foi o suficiente para evitar alguns protestos de torcedores, que tinham como principal alvo a família Menin, mas Bracks também foi citado em faixas. Ao No Ataque, o CSO comentou as críticas, falou sobre as mudanças internas no clube, comentou a eventual busca por um zagueiro, falou sobre futebol feminino e base e mandou um recado à torcida. Veja, abaixo, as declarações completas do executivo.
Perguntas e respostas com Paulo Bracks
NA: Bracks, nesta sexta-feira você completa o primeiro ano como CSO do Atlético. Em um balanço do trabalho à frente do masculino, do feminino e da base, o que destaca como pontos positivos e o que precisa melhorar nessa gestão?
Paulo Bracks: “Foi um primeiro ano de muito trabalho, de construção de processos e de entendimento do clube por dentro, até porque conheço bastante a história do Atlético. Um ano de altos e baixos, algo natural em uma instituição do tamanho do Galo.
Na base, precisávamos agir de forma mais imediata para corrigir algumas rotas. É sempre um risco tomar decisões desse nível logo no início, mas, felizmente, tivemos um resultado excelente e muito antes do que era esperado.
Sabemos que a base é um trabalho de médio e longo prazo, mas em 2025 colhemos resultados relevantes: voltamos a ganhar o Campeonato Mineiro Sub-14 e Sub-17, fomos vice no Sub-15 e no Sub-20 e conquistamos nosso primeiro título na Arena MRV, o Brasileiro Sub-17, em uma virada histórica — que nos remete às grandes conquistas do profissional em 2013 e 2014.
Mudamos a metodologia, alinhamos ideias, modificamos completamente o perfil dos elencos e, ao final do ano, conseguimos promover praticamente um time inteiro de atletas da base para o profissional. O caminho é muito promissor para o clube.
No futebol feminino, avançamos bastante na organização e no planejamento, preparando uma reformulação mais consistente para 2026. Atingimos o objetivo traçado para a temporada, que era o retorno à primeira divisão.
No futebol profissional, que é o carro-chefe do clube, a função era mais ampla no início, até porque havia um executivo mais presente no dia a dia. Hoje, estou totalmente imerso na rotina do CT, acompanhando pequenas e grandes decisões, com alinhamento permanente com a comissão técnica, atletas e staff, além do comando do mercado, ao lado do CIGA, e da execução das diretrizes definidas pelo CEO e pelo Conselho da SAF.
Em 2025, conquistamos o Campeonato Mineiro (o hexacampeonato), chegamos a uma final de Sul-Americana, cuja derrota nos pênaltis ainda nos dói muito, tivemos desempenho abaixo no Brasileiro e uma campanha razoável na Copa do Brasil. Em 2026, queremos muito mais.
O principal ponto a evoluir agora é transformar esses avanços de processo em resultados esportivos de forma contínua, especialmente no futebol profissional.”
NA: A base do Atlético é assunto frequente para muitos torcedores. Para além dos investimentos que estão sendo feitos em estrutura, como o clube pretende melhorar o processo de transição para o profissional neste ano? Existe um alinhamento com a comissão técnica do Sampaoli nesse sentido, para que mais jovens sejam usados?
Paulo Bracks: “A base só faz sentido se puder gerar atletas para o profissional. Por isso, em 2026, nosso foco não é apenas formar, mas integrar e fazer os nossos jogadores performarem em cima. Estamos ajustando o modelo de transição, com acompanhamento individual, participação permanente em treinos do profissional e critérios claros de aproveitamento. Todo atleta está sendo bem cuidado no individual e no coletivo.
Existe, sim, alinhamento com a comissão técnica atual. Conversamos muito sobre perfil, momento e responsabilidade. Os jogadores que estão aqui hoje foram selecionados, não foi aleatório (nem por idade nem por contrato). Não se trata de lançar por pressão, mas de usar o jovem no momento certo, dentro de um contexto competitivo.
Além disso, algumas trocas e ajustes no elenco fazem parte justamente dessa lógica: abrir espaço, gerar minutos e acelerar a maturação dos atletas da base. Buscamos um maior protagonismo no cenário nacional.”
NA: O futebol feminino tem passado por grande reformulação para 2026. Quais são os objetivos nas competições para a categoria?
Paulo Bracks: “A reformulação tem um objetivo claro, que é ter competitividade com sustentabilidade. O futebol feminino do Atlético precisava de uma base mais sólida de planejamento, elenco e estrutura, além de atenção, respeito e carinho.
Para 2026, o objetivo é termos um time mais organizado e que represente bem o clube. A comissão técnica que foi essencial no nosso acesso está mantida e já tivemos mudanças pontuais no elenco.
Queremos evoluir no cenário brasileiro, brigar na parte de cima das tabelas e consolidar o Atlético como referência também no feminino. Aumentamos o nosso orçamento em quase 40%.”
NA: De modo geral, boa parte da torcida do Galo ainda se demonstra preocupada com a profundidade do elenco principal. Sabemos que o clube ainda busca um primeiro volante, mas a contratação de um zagueiro também é prioridade?
Paulo Bracks: “A preocupação do torcedor é legítima. E a exigência é condizente com os últimos anos do Galo, nos quais disputamos os principais títulos. E com a nossa história vencedora. Profundidade de elenco é fundamental em um calendário pesado como o nosso. A busca por um primeiro volante que atenda totalmente ao modelo de jogo e às nossas exigências continua, mas estamos atentos e alertas a outras posições, sim.
A janela está sendo trabalhada com muito critério. O torcedor tem reconhecido. Não é quantidade, é qualidade e encaixe. A ideia é fortalecer o elenco, dar mais opções ao treinador e equilibrar experiência com energia, inclusive pensando na integração dos jovens. Uma boa janela de contratações passa exatamente por isso: corrigir carências anteriores sem comprometer o projeto”.
NA: Como você lida com as cobranças e protestos que envolvem seu nome, Bracks?
Paulo Bracks: “Com naturalidade. Quem ocupa um cargo como esse no Atlético precisa entender que a cobrança faz parte e é legítima. Eu respeito o torcedor, escuto, reflito e sigo trabalhando.
Protestos e críticas não me desviam do foco. O que me move é entregar um clube mais organizado, sustentável e mais forte dentro e fora de campo. As respostas precisam vir no campo e na consistência do projeto, não no discurso.”
NA: Se pudesse deixar uma mensagem para o torcedor do Galo sobre 2026, qual seria?
Paulo Bracks: “O Galo nunca conquistou nada na sua história sem a torcida ao lado. E esse ano não pode ser diferente. Peço confiança na dedicação e compromisso absoluto que todos aqui dentro têm para fazer o clube cada vez melhor, sem medir esforços.”