O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu, nesta terça-feira (27/1), a condenação de Carlos Fabel, ex-diretor financeiro do Atlético. Segundo a promotoria, o gestor teria utilizado empresas de sua propriedade, que prestavam serviços ao time, para se apropriar mais de R$ 4 milhões de forma indevida.
A denúncia, apresentada pela 12ª Promotoria de Justiça Criminal de Belo Horizonte, aponta que as irregularidades ocorreram entre 2013 e 2019. O dirigente teria autorizado pagamentos para si nesse período.
A análise de uma auditoria independente de apenas dois contratos revelou pagamentos sem justificativa contratual ou comprovação de serviço prestado que, somados, ultrapassam os R$ 4 milhões.
O que dizem as testemunhas?
No caso da empresa Consultoria Pontual Ltda., foram identificados repasses de R$ 3,17 milhões sem o devido respaldo. Já para a Art Sports Assessoria Ltda., o valor excedente e sem justificativa chegou a mais de R$ 857 mil. Ambas as companhias pertenciam ao então diretor financeiro.
Testemunhas ouvidas durante a investigação, incluindo ex-presidentes do clube, classificaram a prática como “totalmente incomum”.
“Para o MPMG, o acusado se valeu do controle que exercia sobre finanças e contratos, da confiança depositada pela administração e da limitação das auditorias internas, que funcionavam por amostragem, para autorizar pagamentos indevidos sem que fossem detectados à época”, diz a nota do MP.
Neste cenário, o MPMG pede que o réu seja condenado pelo crime de apropriação indébita majorada, quando a irregularidade é cometida em razão do cargo. A promotoria também solicita que a pena seja aplicada no grau máximo, por se tratar de um crime continuado.
Além da condenação, o Ministério Público requer a suspensão dos direitos políticos do ex-diretor e a reparação integral de todos os danos financeiros causados ao Atlético. O processo segue para a fase de julgamento.
Posicionamentos
O No Ataque procurou Carlos Fabel, que se manifestou por meio do advogado, Thiago Almeida.
“O processo está em segredo de justiça. A defesa terá oportunidade para refutar a acusação nos autos do processo. A defesa somente se manifestará perante o Poder Judiciário, a quem confia uma solução justa.”
O Atlético, por sua vez, não quer se posicionar sobre o tema.
Kalil já falou sobre o assunto
Fabel foi coordenador financeiro das campanhas de Alexandre Kalil à prefeitura de BH, em 2016 e 2020. Em entrevista ao Estadão, o ex-presidente do Atlético disse que não existiu nada que “desabonasse Fabel” durante sua administração.
“Das outras duas gestões não posso lhe dar notícia, da minha foi aprovada por unanimidade pelo conselho deliberativo, pelo conselho fiscal do clube e pela auditoria externa que existia em todos os meus anos no clube”, disse.