Em processo de reformulação, o Grêmio entrou em contato com Bárbara Fonseca, diretora de futebol feminino do Cruzeiro, nessa quarta-feira (7/1), e lhe ofereceu uma proposta para assumir o cargo de executiva da pasta no clube gaúcho. O tricolor aguarda um retorno ‘rápido’ para, em caso de sinal positivo, iniciar a temporada 2026 já com toques da executiva.
A informação de que o Grêmio apresentou uma proposta a Bárbara Fonseca foi divulgada inicialmente pelo Zero Hora e confirmada pelo No Ataque, que avançou na história.
O Grêmio vive troca de gestão, processo que também afeta o departamento de futebol feminino. No fim do ano passado, Marianita Nascimento, diretora, e Karina Balestra, diretora adjunta, deixaram o clube. Agora, os diretores são João Hermínio Marques e Fabrício Fontanella. Patrícia Gusmão assume o cargo de coordenadora.
Agora, o tricolor busca uma executiva. Ao No Ataque, fonte ligada ao clube gaúcho detalhou que ofereceu a Bárbara Fonseca um contrato de três anos – quando a gestão Odorico Roman (presidente) chega ao fim – e valorização salarial. O investimento destinado pela diretoria geral ao futebol (R$ 20 milhões) também é maior que o orçamento em que o Cruzeiro trabalha (R$ 16 milhões).
O clube gaúcho tem boas referências de Bárbara Fonseca e pretende ouvir um retorno positivo até o fim de semana. A ideia é que a temporada de 2026 já tenha influência da dirigente, que avalia a oferta.
Bárbara Fonseca no Cruzeiro
Bárbara Fonseca veste a camisa do Cruzeiro desde 2019, quando o clube reativou a equipe feminina. Até setembro de 2024, atuou como coordenadora. Quando Kin Saito deixou o clube mineiro (desde maio de 2022), a dirigente assumiu o posto de diretora da pasta.
O elenco feminino do Cruzeiro para 2026 já está montado e conta com 11 reforços – nenhum oficializado. O grupo se reapresentou nessa segunda-feira (5/11) e treina para os compromissos do ano, que envolvem a Série A1 do Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, o Campeonato Mineiro e a Copa Libertadores – torneio inédito no calendário da Raposa.
As Mosqueteiras, como são conhecidas as atletas do Grêmio, também voltaram aos trabalhos na segunda-feira. Elas, assim como a nova diretoria, serão apresentadas à imprensa posteriormente, em data ainda não definida.
O ano a ano das Cabulosas
Sob a liderança de Bárbara Fonseca, as Cabulosas evoluem ano após ano no cenário esportivo. Em 2019, o clube se sagrou vice-campeão da Série A2 e subiu para a elite – ali, Wagner Pires de Sá era o presidente.
Em 2020, a Raposa encerrou a participação no Brasileiro em 10º lugar – Sérgio Santos Rodrigues assumiu a presidência. O advogado permaneceu no cargo até 2021, quando Ronaldo Fenômeno adquiriu as ações da Sociedade Anônima de Futebol (SAF). Naquele ano, as Cabulosas ficaram na 11ª colocação.
No ano seguinte à posse de Ronaldo, 2022, o Cruzeiro assumiu a responsabilidade de se dedicar mais à modalidade. Encerrou a participação na fase classificatória da Série A1 do Brasileiro em 12º lugar, a primeira posição fora da zona de rebaixamento – a meta era justamente a permanência.
Posteriormente, em 2023, as Cabulosas alcançaram o oitavo lugar e avançaram ao mata-mata do torneio nacional pela primeira vez na história. Nas quartas de final, enfrentaram o Corinthians e ficaram pelo caminho: derrota por 2 a 1 no primeiro jogo, e por 4 a 2 na volta.
O ano de 2024 foi de mais evolução em campo. Além de ter chegado à final da Supercopa (derrota para o Corinthians), terminou a fase classificatória do Brasileiro em quinto lugar – até então, a melhor campanha do time na competição -, mas parou nas quartas para o Palmeiras.
Em 2025, as Cabulosas superaram as temporadas anteriores. Apesar de ter caído na semifinal da Supercopa e na terceira fase da Copa do Brasil, a Raposa chegou à final do Brasileiro de forma inédita – perdeu para o Corinthians – e se garantiu na Copa Libertadores de 2026, torneio nunca disputado pelo clube. O Cruzeiro ainda conquistou o Campeonato Mineiro pela terceira vez consecutiva.
Aumento no investimento do Cruzeiro
A ascensão é resultado da implementação da cultura do futebol feminino e do aumento do investimento. Se em 2019 a modalidade trabalhava com R$ 1,8 milhão, em 2025 o departamento recebeu R$ 15 milhões. No ano passado, a Raposa também cresceu fora de campo ao gerar receitas com vendas de atletas (três) e bilheteria.
A definição do orçamento, no entanto, não tem sido simples. Para 2026, por exemplo, havia receio de que o elenco do Cruzeiro sofresse uma espécie de desmanche. Isso por causa de um desentendimento sobre qual caminho seguir. Enquanto o departamento de futebol feminino já previa a necessidade de aumentar os investimentos para manter um grupo competitivo, a gestão geral da SAF defendia a manutenção do valor anterior.
A torcida celeste expôs nas redes sociais insatisfação com a possibilidade de não ter recursos e cobrou a diretoria celeste, que, após reuniões, chegou ao novo valor: R$ 16 milhões.
A garantia das cifras permitiu que o departamento de futebol feminino renovasse o contrato de todas as jogadoras titulares que poderiam sair em dezembro de 2025. Também possibilitou valorizações salariais e a contratação de 11 atletas