O Cruzeiro encaminhou, nesta quarta-feira (4/2), a venda do meio-campista Cauan Baptistella, de 18 anos, ao Metalist, da Ucrânia. A iminente transferência repercutiu negativamente entre a torcida, já que o atleta era tido pelo clube estrelado como uma das principais promessas das categorias de base. Nesse cenário, Bruno Spindel, diretor executivo de futebol da Raposa, explicou a razão do negócio em entrevista ao canal HGPlay.
Saída de Baptistella
De acordo com o dirigente, a transferência é regida por questões técnicas – o atleta não teria espaço no elenco principal, já que enfrenta concorrências de titulares e jovens da base com passagens pela Seleção Brasileira – e de mercado – valores que agradam o clube o meio-campista.
“Primeiro vem o cenário técnico. Sem tirar o mérito do Baptistella, a gente trata os atletas da melhor forma possível, respeita. Mas você tem um planejamento no Cruzeiro e tem que tomar decisões técnicas. Dentro da parte técnica, a gente vê um elenco profissional que tem Matheus Pereira, Gerson, Japa. Ainda tem Rhuan Gabriel e Felipe Morais (base), de Seleção Brasileira e que a gente acredita. Uma proposta que para o Cruzeiro e para o atleta foi a mais vantajosa”
Bruno Spindel, diretor executivo de futebol do Cruzeiro
Cruzeiro mantem percentual não revelado
O dirigente garantiu que a Raposa permanecerá com um percentual importante dos direitos econômicos de Baptistella – não revelou o valor. Na visão da cúpula celeste, a transferência em definitivo com possível retorno no futuro é mais vantajosa do que um empréstimo a um clube da Série B do Campeonato Brasileiro, por exemplo.
“Talvez outra alternativa seria emprestar para um clube da Sèrie B, mas a gente entende que não seria o melhor para o desenvolvimento do atleta. É um campeonato que privilegia pouco a parte técnica, de muito duelo físico. Dentro da projeção do elenco, respeitada a qualidade do atleta, a gente tomou essa decisão do ponto de vista técnico e alternativas de mercado”, pontuou.
Nas redes sociais, a torcida levantou a suposição de que o Cruzeiro optou por vender Baptistella para ter fluxo de caixa depois de ter gastado na janela de transferências – cerca de R$ 188 milhões pelo meio-campista Gerson e R$ 5,5 milhões pelo atacante Chico da Costa. Spindel negou tal hipótese.
“Em nenhum momento foi falado em mudança de rumo por renovação ou manutenção de atleta. O que a gente enxerga é o que eu disse: é uma visão caso a caso desse planejmanto a longo prazo de ter uma base forte, um corpo técnico forte, uma estrutura forte, bons profissionais… São movimentos naturais que ocorreriam sem a vinda do Gerson, sem a manutenção de Pereira. Não é para fluxo de caixa. São negócios que a gente julga bons para o Cruzeiro. O Cruzeiro tem esse planejamento de ser autossustentável em sete, oito anos, por isso o investimento na base”
Bruno Spindel, diretor executivo de futebol do Cruzeiro
E Kauã Prates?
Spindel já havia aberto o jogo, em outra oportunidade, sobre a venda do lateral-esquerdo Kauã Prates, de 17 anos, ao Borussia Dortmund. A situação é a mesma: negócio encaminhado, mas não concretizado.
“Não vou entrar em valores específicos (sobre Kauã Prates), porque não posso abrir questões contratuais que têm clausulas de confidencialidade. São negócios encaminhados. As vendas se concretizam quando são assinadas e determinadas condições de eficácia do negócio são atendidas. Por exemplo, assinar e fazer exame médico”, disse.
Mais uma vez, Spindel não expôs valores. Ele garantiu que a venda do lateral pode ser a principal da história do clube caso metas estipuladas em contrato sejam alcançadas. E explicou que é uma forma de recolocar a Raposa no cenário internacional de transferências.
“O Kauã Prates é um atleta espetacular, de 17 anos. Se não me engano, fez quatro jogos como titular da Série A no ano passado. É um grande atleta, uma promessa. Tem essa negociação avançada com o Borússia, um dos maiores clubes europeus. Se considerar tudo que vai acontecer ao longo do tempo, primeiro, coloca o Cruzeiro no grande cenário internacional. Fazia muito tempo que o clube não fazia uma transferência de um valor relevante e significativo. E, conforme as coisas forem acontecendo, a gente julga que essa pode ser a maior venda da história do Cruzeiro, porque envolve uma série de cláusulas e direitos”
Bruno Spindel, diretor executivo de futebol do Cruzeiro
O clube estrelado manterá “um percentual de mais-valia que pode ser bem relevante mesmo”, destacou o dirigente acerca do contrato de Kauã Prates com o clube alemão.