O fundador da primeira torcida organizada LGBTQIAPN+ do Brasil, Volmar Santos, morreu nesta segunda-feira (19/1), aos 77 anos, devido a problemas cardíacos. O Grêmio, time do coração do ativista, prestou homenagem nas redes sociais.
“É com imensa dor que nos despedimos de Volmar Santos. Ele foi um pioneiro, um sonhador, um símbolo de coragem e amor pelo Grêmio. Seu legado de respeito, diversidade e resistência será lembrado para sempre por todos os tricolores! Sua história vive em nós. Orgulho de ser o #ClubeDeTodos!” escreveu o clube.
O gremista atuou em diversas áreas durante a vida: foi comunicador, radialista, colunista social, produtor cultural e secretário municipal de Cultura.
Volmar é símbolo de resistência e referência na luta pela diversidade no futebol. Criador da Coligay em 1977, ajudou a tornar as arquibancadas do Estádio Olímpico, antiga casa do Grêmio, mais plurais.
A torcida ficou em atividade por apenas sete anos, período em que Volmar precisou retornar à cidade natal, Passo Fundo, para cuidar da mãe. Ainda assim, a organizada marcou a história do futebol brasileiro em meio ao período de opressão da ditadura militar.
A organizada foi retratada no livro “Coligay, tricolor e de todas as cores”, do jornalista Léo Gerchmanne, e no documentário “Por que essa torcida mete medo em quem odeia gays”, lançado pela Peleja Media.
Torcidas Organizadas LGBTQIAPN+ no Brasil
Torcidas organizadas LGBTQIAPN+ buscam espaço e representatividade em um ambiente marcado pela intolerância. A LGBT Tricolor, torcida do Bahia, conta com mais de 15 mil torcedores e busca garantir inclusão nos estádios. Criada em 2019, é uma das mais imponentes do país.
A Porco-Íris, do Palmeiras, criada no mesmo ano, também desenvolve um importante trabalho de acolhimento e de busca por reconhecimento da comunidade no futebol.
Em Minas Gerais, a torcida Maria de Minas, do Cruzeiro, cria um espaço para que torcedores da comunidade possam se reunir e se sentir acolhidos durante os jogos. O nome da torcida leva “Maria” e busca reverter o significado da expressão, que é utilizada de maneira pejorativa por rivais.
O Atlético conta com a organizada “Vou Festejar”, que também espalha diversidade. “É da amizade de um grupo de pessoas LGBTI+ que se sentiam isoladas e invisibilizadas nos estádios, nos bares e em tantos outros espaços onde nasce e vive o futebol que nossa torcida surge. E algo nos uniu: a paixão pelo Clube Atlético Mineiro”, explicou a comunidade sobre a ideia de criar a torcida.
Outros importantes clubes também contam com torcidas organizadas da comunidade LGBTQIAPN+, como a Fiel LGBT, do Corinthians, a Santos Pride, do Santos, e a Tricolor LGBT, do São Paulo.