FUTEBOL MINEIRO

Afundado em dívidas, tradicional clube mineiro aprova SAF e anunciará novo gestor

Com R$ 13 milhões em dívidas e mais de 100 credores, Villa Nova teve a transformação em SAF aprovada pelo Conselho Deliberativo

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A reunião do Conselho Deliberativo do Villa Nova, na noite desta quarta-feira (7/1), em Nova Lima, aprovou, por unanimidade, a transformação do clube em SAF (Sociedade Anônima do Futebol). A confirmação do novo gestor poderá vir na reunião do próximo dia 15, quando serão abertos os envelopes com as propostas e haverá nova votação.

Segundo o presidente do Leão do Bonfim, Anísio Clemente Filho, o Anisinho, o Villa Nova já tem, em mãos, apenas uma proposta – de Renato Valentim, proprietário do Boston City Futebol Clube, time fundado nos Estados Unidos e que tem registro, no Brasil, em Manhuaçu.

“Ele já entregou a proposta para ser a SAF do Villa Nova. Nesta reunião do Conselho Deliberativo, nessa quarta-feira, enviou um representante, o advogado do clube”, diz Anisinho.

O dirigente conta que toda a documentação necessária, do Villa Nova, já foi entregue ao investidor Renato Valentim. E que ele e parte da diretoria do Leão do Bonfim já estiveram em Manhuaçu, conhecendo a estrutura do Boston City.

Para se tornar SAF, o Villa Nova teve de tomar diversas providências no sentido de impedir que fosse decretada a falência do clube. A dívida, hoje, chega a R$ 13 milhões, de 150 credores, que estão cobrando na Justiça, segundo Anisinho.

“Obtivemos a certidão positiva com efeito negativo. Conseguimos manter os acordos da recuperação judicial (ARJ) com os credores. Pagamos a entrada desse acordo judicial, no valor de R$ 350 mil”, conta o presidente do clube.

Pode causa dos débitos, o clube de Nova Lima sem acesso a algumas receitas, segundo Anisinho: “Esse dinheiro corresponde a direitos de televisão que estavam retidos e foram liberados pela Justiça, para iniciarmos o pagamento. Temos, também, a primeira parcela, que vence, agora, em 20 de janeiro”.

“O valor dessa dívida, segundo ele, ainda pode ser diminuído, pois o credor pode abrir mão de receber o valor total, para receber uma grande parte”, completou o dirigente.

A SAF do Villa Nova

A SAF que assumir o comando do Villa Nova terá de arcar com os compromissos financeiros do clube, segundo Anisinho, que está bastante esperançoso.

Os interessados em gerir a SAF do Leão do Bonfim podem entregar a proposta, em envelope lacrado, até as 17h do dia 15 A reunião para definição do novo gestor está marcada para 19h. “Abriremos a reunião em seguida faremos a abertura dos envelopes com as propostas”, diz o Anisinho.

Quem é Renato Valentim

Renato Valentim, de 54 anos, é proprietário do Boston City Futebol Clube. Ele se mudou para os EUA, em 1988. Chegou sem falar a língua e foi trabalhar como lavador de pratos, num restaurante.

Aos poucos, subiu de nível no estabelecimento e conciliou suas funções com aulas de culinária para aprender o idioma local. Até que em 2004, já estabelecido financeiramente, decidiu abrir o próprio negócio, a “Tavern in the square”, em parceria com dois amigos. O negócio tornou-se uma rede de restaurantes – hoje, são 23 unidades espalhadas pelos estados de Massachusetts, Connecticut e Rhode Island, onde vivem milhares de brasileiros. A rede tem quatro mil funcionários.

Com os lucros, ele expandiu os investimentos para os setores de construção e educação. Por fim, em 2014, resolveu experimentar os desafios do mundo do futebol.

A paixão de Valentim pelo “soccer” motivou a criação do Boston City FC, no fim de 2014. Até 2018, ele teve um sócio muito importante no futebol nessa empreitada: o ex-jogador Jorge Ferreira da Silva, o Palhinha, cria do América, titular do São Paulo dirigido por Telê Santana no início da década de 1990 e camisa 10 do Cruzeiro nas conquistas da Copa do Brasil de 1996 e da Copa Libertadores de 1997 (marcou 36 gols em 103 jogos em 1 ano e 7 meses).

Palhinha e Valentim trabalharam juntos por quatro anos. Até que o ex-jogador deixou os Estados Unidos e seguiu para Portugal, onde presidiu o União Almeirim, que disputava a quinta divisão nacional. Enquanto isso, o Boston City se preparava para expandir sua área de atuação. Renato recebeu propostas de intermediários de outros continentes, porém preferiu focar na estruturação da “filial” do Brasil, que compete na terceira divisão do Campeonato Mineiro e tem planos de subir de divisão.

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