ANA PAULA BORGO

Médico espalha ‘fake news’ ligando morte de Ana Paula Borgo a vacinação

Médico bolsonarista viralizou nas redes sociais ao associar o aumento no número de casos de câncer a vacinação; figuras importantes questionaram afirmação falsa
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O médico bolsonarista Marcos Falcão viralizou nas redes sociais ao associar o câncer de estômago que matou a atleta Ana Paula Borgo a vacinação. De acordo com o profissional de saúde, o número de casos de pacientes com câncer teve aumento após a ‘vacinação’.  A informação, no entanto, não tem comprovação científica. 

“O maior genocídio da história, sem disparar uma bala. Não podemos afirmar que o que causou o câncer foi a possível vacinação, mas podemos afirmar que o número de casos de câncer aumentou exponencialmente após a vacinação.”, escreveu Marcos. 

O próprio Twitter sinalizou a publicação como falsa, a partir de denúncia de internautas. Em nota adicionada ao post, a plataforma esclarece que: “Não existe qualquer evidência científica que vacinas levem ao desenvolvimento de câncer. O aumento na incidência de casos de câncer está relacionado com melhores formas de diagnóstico da doença, resultando em novas formas de tratamento e diminuição na mortalidade.” 

Ana Paula Borgo morreu na quinta-feira (11), aos 29 anos, em decorrência de um câncer no estômago. A jogadora de vôlei teve passagens pela Seleção Brasileira e pelo Praia Clube. A oposta descobriu a doença em setembro do ano passado e precisou se afastar das quadras. Seu último clube foi o Bergamo (Itália), na temporada 2021/22. 

Médico oferecia detox vacinal

Conhecido por vender tratamento falso de “detox vacial” no WhatsApp, Marcos Falcão foi duramente criticado por figuras conhecidas e fãs de vôlei. 

O cantor Leo Jaime questionou o posicionamento do Conselho de Medicina Brasileiro.

“O Conselho de Medicina acha razoável este tipo de coisa?”, perguntou o artista.

O jornalista José Norberto Flesch relembrou a relação entre o aumento do número de pessoas com câncer e a liberação de novos agrotóxicos pelo governo Bolsonaro. 

“Meu caro médico que diz que “fazer o L é apoiar a destruição do Brasil”, por falar em “maior genocídio da história”, também podemos afirmar que o número de casos de câncer aumentou exponencialmente depois que seu ídolo liberou agrotóxicos proibidos?”, questionou o profissional.

Segundo estudo publicado na revista científica Frontiers in Public Health, aproximadamente 80% dos agrotóxicos autorizados no Brasil não são permitidos para uso em pelo menos três países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), incluindo países que têm a agricultura como atividade econômica essencial.

Para os pesquisadores, a exposição a esses agrotóxicos viola muitos direitos humanos da população, na medida em que o direito à vida é potencialmente restringido quando os agrotóxicos contaminam os alimentos e a água para consumo humano.

Fãs de Ana Paula Borgo pediram respeito à família da atleta e desprezaram o comentário do médico.  

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