A Copa Brasil Feminina de Vôlei de 2026 contou com uma protagonista: Tifanny Abreu. A oposta de 41 anos do Osasco é reserva de Bianca Cugno durante toda a temporada, porém, na final diante do Minas, neste sábado (28/2), no Moringão, em Londrina, foi acionada como ponteira durante o duelo e não só deu conta do recado, como foi eleita a destaque da partida que garantiu o quinto título do time paulista no torneio nacional. Título, craque do jogo e ainda recado à vereadora Jessicão: um dia especial para a atleta.
O sábado (28/2) foi a coroação de uma semana bem conturbada para Tifanny. Na quinta-feira (26/2), a oposta foi alvo de transfobia por parte dos vereadores da Câmara Municipal de Londrina, que tentaram usar uma lei municipal – que apresenta diversas inconsistências – para vetar a participação da atleta da fase final da Copa Brasil. No entanto, uma liminar na Justiça seguida de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) permitiram a participação da jogadora.
E isso foi importantíssimo para o público presente no ginásio no Paraná. Na semifinal diante do Flamengo, na sexta-feira (27/2), e na decisão contra o Minas, neste sábado (28/2), Tifanny foi ovacionada em diversos momentos, mesmo quando estava no banco de reservas. E o Moringão “explodiu definitivamente” quando a oposta entrou muito bem na final e foi decisiva para o Osasco ser pentacampeão.
O título do time paulista sobre o Minas passou pela ousadia de Luizomar de Moura, claro, pois o técnico colocou a oposta como ponteira, junto de Bianca Cugno, e “quebrou” a estratégia do time de Belo Horizonte. Porém, essa ideia do técnico do Osasco só deu certo porque Tifanny estava inspirada, tanto que ficou com o troféu Viva Vôlei.
Após a partida e a premiação individual, Tifanny falou com o SporTV e, emocionada, apontou o lema que a moveu: “O amor venceu”.
Tifanny manda recado à vereadora Jessicão (PP)
A grande responsável pela movimentação na Câmara Municipal contra a participação de Tifanny foi Jessicão, vereadora de Londrina que é do Progressistas (PP). Mesmo com a participação há anos da jogadora nas competições nacionais com aval da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), a política tentou interferir com uma lei municipal em que é relatora. E não deu certo.
“Quando eu recebi a notícia, fiquei um pouco cabisbaixa. Mas quando vi que tinha o Brasil inteiro e metade do Paraná ao meu lado, além da CBV e clubes lutando pelo meu direito, eu me senti tão acolhida. Eu falei: ‘Senhor, eu vou fazer por merecer por todas as pessoas que estão ao meu lado’. Obrigado, CBV. Obrigado, Osasco. Obrigado a cada um que mandou o amor pra mim”, iniciou Tifanny, que fez questão de mandar um recado para a vereadora.
“E eu vou falar uma coisa para a Jessicão: em vez de você se preocupar comigo jogando, preocupa com o esporte da cidade, porque o vôlei de Londrina precisa de mais incentivo. O time de vôlei daqui ficou em último na Superliga B por falta de incentivo. Então, vá buscar incentivo pra dar o esporte em vez de excluir, Jessicão, porque o seu trabalho é colocar inclusão e não exclusão”
Tifanny, oposta do Osasco
Na Superliga B Feminina de Vôlei, o Londrina perdeu todas as 13 partidas que disputou, somou apenas dois pontos e protagonizou a pior campanha da Segunda Divisão do voleibol brasileiro.