Maria Fernanda Guimarães, filha do treinador de vôlei Zé Roberto, entrou em defesa do pai nas redes sociais após declarações polêmicas de Mari Steinbrecher, ex-jogadora de vôlei, sobre o motivo do corte “surpresa” na Seleção Brasileira de vôlei, às vésperas da Olimpíada de 2012, em Londres. Mafê apagou o post minutos depois, mas prints do comentário circulam entre os “vôleifãs” na internet.
“O pior é anos depois ouvir uma história que só existe na cabeça dela”
Maria Fernanda Guimarães, filha de Zé Roberto
Tudo começou após a publicação do novo episódio do podcast “Basticast”, com entrevista exclusiva concedida por Mari Steinbrecher, nessa quinta-feira (8/1). A ex-jogadora de vôlei disse ter sido cortada da equipe de 2012 por se recusar a ir para o Fenerbahçe – time treinado por Zé Roberto na época. A paulista afirmou ter sido injustiçada por preferir ficar no Rexona Unilever, atual Flamengo, que era comandado por Bernardinho.
“Decidi ficar mais um ano no Rio (Rexona Unilever). O Zé não gostou disso. Eu lembro que estava na Croácia de moto, estava com uma amiga minha na garupa, a Danizinha que é prova disso. Parei a moto para atender e era o Zé. Quando acabou a conversa, ele falou assim: ‘Se você vai ter as suas preferências, na Seleção, eu vou ter as minhas também’. Eu senti com um tom muito de ameaça. Foi muito ruim ouvir aquilo”
Mari do Vôlei, ex-jogadora
Mari do Vôlei falou sobre o tratamento que recebeu de Zé Roberto por decisão e destacou “sacanagem” do treinador.
“Na Seleção (nas vésperas da Olimpíada de Londres), ele não falava comigo. Era aquele bom dia seco, não falava muito. Ele falava assim: ‘Você tá fazendo o que aí na ponta, vai lá atacar na saída, vai lá fazer o aquecimento na saída.’ Ele já me trocou de posição, já foi uma sacanagem ali”
Mari do Vôlei, ex-jogadora
Ainda, destacou a mágoa de Zé por ter “escolhido” Bernardinho e a revelou falta de compreensão do treinador da Seleção feminina.
“Ele poderia ter feito isso (cortar da Seleção), mas não dessa forma. Ele também não tem o melhor relacionamento do mundo com o Bernardo, então o Zé Roberto realmente não gostou que eu escolhi ficar com o Bernardo. Mas foi uma questão minha pessoal que ele não entendeu, e levou para o lado pessoal também”
Mari do Vôlei, ex-jogadora
A ex-oposta e ponteira da Seleção revelou a justificativa de Zé Roberto, que por muitos anos foi passada como “motivo técnico”, mas que segundo Mari, foi por “falta de confiança” do treinador após a decisão.
“No dia do corte, eu estava voltando da lavanderia. Ele me chamou e falou: ‘então, temos um problema, vamos ter que nos separar, porque eu não confio em você.’ Aí eu falei: ‘Tá bom, vou pegar minhas coisas, posso ir embora?’. Ele respondeu que pode e foi assim. Curto, grosso, rápido”
Mari do Vôlei, ex-jogadora
As declarações de Mari Steinbrecher rapidamente circularam na internet culminando na resposta da filha de Zé, Maria Fernanda Guimarães, que defendeu o pai e citou “indisciplina” da ex-jogadora.
“Ter aguentado tanto tempo ele a ajudando, cuidando e tendo uma paciência de Jó com a sua indisciplina (não há como negar, inclusive ela mesma poderia ter acrescentado essas verdades antes de expor versões esdrúxulas de acontecimentos formados na cabecinha dela, e colocar inverdades na mídia para que pessoas que não estavam em nenhum momento no grupo ou participaram de qualquer ciclo olímpico faça juízo de valores não tendo a menor competência para isso)”
Maria Fernanda Guimarães, filha de Zé Roberto
Instantes após o post, Mafê apagou o comentário, mas imagens da fala já eram debatidas pelos fãs de vôlei, que se dividiram entre Mari e Zé Roberto.
Não foi a primeira crítica de Mari a Zé Roberto
Vale lembrar que essa não foi a primeira declaração negativa que Mari fez em relação ao treinador da Seleção Zé Roberto. Em outubro de 2016, quando voltava para o Brasil, após temporada na Itália e Indonésia, em entrevista ao GE, a ex-jogadora criticou o técnico brasileiro e afirmou ter merecido vaga na na equipe da Olimpíada de 2016, no Rio.
“Eu sei que poderia estar lá (nos Jogos do Rio), pela minha história, minha experiência. Por várias coisas. Eu não sei quais foram os critérios do Zé Roberto. Porque até uma jogadora que não estava jogando ele convocou. Eu estava jogando, fazendo pontos, fisicamente bem, mas ele optou por não convocar. Eu não quero ficar aqui discutindo quais foram os critérios. Mas os critérios não foram reais. Minha única opinião é que sempre foram critérios duvidosos. Falava uma coisa, mas fazia outra. Essa é a minha opinião sobre as convocações e sobre os cortes do Zé Roberto, incluindo agora. Poderia pelo menos ter ido treinar junto, ele ter visto como eu estava. Ele forçou muito a barra colocando a Gabizinha para jogar como oposta, coisa que a menina nunca fez”, revelou a ex-Seleção Brasileira
Ainda, citou o corte na Olimpíada de 2012, que voltou a ser discutido nessa quinta-feira (8/1) após seu pronunciamento no podcast, e falou sobre ligação de Zé após desentendimento.
“De Londres (quando foi cortada antes dos Jogos), foram coisas pessoais. Faz parte e não adianta mais trazer, já foi. Mas essa última, eu poderia ter sido vista. Ele chegou a ligar para mim quando eu estava na Itália. Eu falei para ele que não dava mais para ficar no time, que não estava dando, que ia ter que sair. Ele até perguntou se não dava para ir para a França. Mas, na França, não iam pagar um terço do que eu ganhava. Eu não ia conseguir nunca, estava sem receber. Naquela fase da minha vida, estava decidindo também pela minha vida financeira. Já estava há cinco meses sem receber, cinco meses me bancando na Itália com o Euro a R$4,20. Eu amo jogar vôlei, mas também preciso sustentar minha família”, concluiu a campeã olímpica.
Mari Steinbrecher pela Seleção Brasileira
Mari surgiu como um dos principais novos nomes do vôlei feminino na temporada 2003/2004. A paulista foi eleita a melhor atacante e revelação da Superliga, além de ser uma das maiores pontuadoras da competição naquele ano.
A oposta e ponteira foi convocada para os Jogos Olímpicos pela primeira vez em 2004, em Atenas. Em Pequim 2008 ajudou a conquistar o primeiro ouro olímpico da Seleção Brasileira Feminina de vôlei.
Além disso, a ex-jogadora venceu o Pan-Americano de 2011 e o bicampeonato sul-americano, em 2009 e 2011.
Declarações de Mari Steinbrecher no podcast
Mari do Vôlei falou sobre motivo de corte e as consequências sofridas na carreira após decisão de Zé Roberto. Veja abaixo as falas de Steinbrecher sobre o treinador da Seleção Brasileira no podcast “Basticast”, disponibilizado nessa quinta-feira (8/1).
“Naquele ano (2011), eu tinha machucado o joelho, e estava jogando no Rexona Unilever. Eu joguei, praticamente, só a semifinal e a final. O Bernardo (Bernardinho) falou assim: ‘Eu acho justo você ficar mais um ano aqui, e jogar o ano inteiro.’ Até porque eu recebi o ano inteiro. Eu falei que achava justo também. Nessa mesma época, o Zé (Roberto) estava indo para o Fenerbahçe, aí ele falou: ‘Eu quero que você vá para o Fenerbahçe, porque eu quero te treinar, ano que vem já é Olimpíada.’ Aí eu fiquei assim: ‘E agora, o que eu farei da minha vida?’ Fiquei nesse impasse”, iniciou Mari Steinbrecher.
“Pensando na minha vida pessoal também, tinham coisas que eu não queria deixar para ir para lá, e tinha essa questão do Bernardo que eu achava justa. E tinha o Zé que também era justa, que queria que eu fosse para poder me treinar. Pensando em tudo isso, decidi ficar mais um ano no Rio. Eu acho que vai ser bom para mim, e também eu vou estar treinando com o Bernardo, elas por elas de treino, tudo certo, e o Zé não gostou disso”, continuou.
“Eu lembro que estava na Croácia de moto, estava com uma amiga minha na garupa, a Danizinha que é prova disso. Parei a moto para atender e era o Zé. Quando acabou a conversa, ele falou assim: ‘Se você vai ter as suas preferências, na Seleção, eu vou ter as minhas também”, afirmou a ex-jogadora.
“Eu senti com um tom muito de ameaça. Foi muito ruim ouvir aquilo. Ou ele vai fazer alguma coisa, ou ele está fazendo uma pressão para eu poder ir para o Fenerbahçe com ele. Mas não, quando chegou na Seleção, ele não falava comigo. Era aquele bom dia seco, não falava muito. Ele falava assim: ‘Você tá fazendo o que aí na ponta, vai lá atacar na saída, vai lá fazer o aquecimento na saída.’ Ele já me trocou de posição, já foi uma sacanagem ali”, destacou.
“Ele poderia ter feito isso, mas não dessa forma. Ele também não tem o melhor relacionamento do mundo com o Bernardo, então o Zé Roberto realmente não gostou que eu escolhi ficar com o Bernardo. Mas foi uma questão minha pessoal que ele não entendeu, e levou para o lado pessoal também”, revelou a paulista.
“No dia do corte, eu estava voltando da lavanderia. Ele me chamou e falou: ‘então, temos um problema, vamos ter que nos separar, porque eu não confio em você.’ Aí eu falei: ‘Tá bom, vou pegar minhas coisas, posso ir embora?’. Ele respondeu que pode e foi assim. Curto, grosso, rápido”, detalhou Mari.
“Eu entrei no quarto e falei que tinha sido cortada, ia arrumar minhas coisas para ir embora. Aí as meninas começaram a ligar umas para as outras para avisar. Todo mundo veio chorando me abraçar, pegou todo mundo de surpresa. As meninas levaram a minha camisa, todo pódio que subia, eu tava lá junto”, afirmou a campeã olímpica.
“Foi um ciclo bem difícil, tiveram lesões, foi bem difícil readaptar. Foi um ciclo bem bagunçado para mim. Eu achei que foi muito injusta a forma que foi. O Zé poderia ter decidido que eu não fosse para a Olimpíada, não era esse o problema, mas como foi o corte. Eu nunca falei, até porque eu quero ser invisível (brincadeira referente a qual super poder gostaria de ter), mas chegou o momento que dá para falar, até porque eu já conversei com ele depois, a gente se encontrou, tá tudo perdoado, mas naquele momento ali, ele errou muito feio comigo”, destacou.
“Porque não foi um corte justo como ele falou: ‘ah, a Mari vai ser cortada porque ela está com problema técnico.’ Que problema técnico, gente? Eu era uma das jogadoras mais técnicas que ele tinha, como ele vai dar uma desculpa dessa?”, continuou Mari.
“O que acarretou na minha carreira depois disso, foi muito ruim. Eu tive prejuízo financeiro, os times começaram a usar isso contra o meu contrato. Como é que você vai fazer 100% do seu contrato, se o técnico da Seleção falou que você está com problema técnico? Obviamente que o time vai querer pagar menos”, detalhou a ex-atleta.
“Não conseguia mais fechar os contratos que eu fechava antes, me prejudicou em várias áreas. Isso já está perdoado, já passou, mas acho que vale falar de fato o que aconteceu, porque até hoje todo mundo acha que eu fui cortada por um problema técnico”, finalizou a paulista.