Quarenta e quatro dias de recuperação desde um pesadelo e o mesmo sorriso no rosto. Em 23 de novembro, Júlia Azevedo levou um tiro na Zona Norte do Rio de Janeiro e teve que se afastar do vôlei. Porém, a oposta do Tijuca encarou as últimas semanas de maneira exemplar e, mesmo ainda em meio à reabilitação, vive a expectativa de voltar ao vôlei em breve: “Nesta Superliga”.
Júlia Azevedo foi entrevistada de forma exclusiva pelo No Ataque, falou sobre o processo enfrentado nas últimas semanas e destacou que está bem. “A recuperação está bem tranquila. Os primeiros dias foram mais difíceis, com muita dor, mas vem diminuindo. A dor no início era bastante nas costas, só que agora dói mais o quadril, que é onde saiu o projétil. Se eu não fosse jogadora de vôlei, acredito que a minha vida já estaria 100% normal”, iniciou a oposta.
É justamente o esporte que ainda impede Júlia de afirmar que a rotina está igual à anterior. Desde a tentativa de assalto que terminou com uma bala nas costas da atleta, a vida desta carioca de 28 anos sofreu mudanças. Só que a rotina tem voltado aos poucos, como detalhou a atleta que esteve sorridente durante toda a entrevista e celebrou a oportunidade de estar viva.
“Ainda não estou treinando vôlei, só fazendo exercício de mobilidade e estabilidade. Mas tudo sem peso, tudo bem leve, porque eu ainda não posso pegar peso. […] Mas a vida está bem normal. A única coisa que eu não consigo fazer são alguns serviços de casa pesados ou se tiver que pegar uma caixa pesada, mas o resto, como andar, já faço normal”
Júlia Azevedo, oposta do Tijuca
Previsão de retorno de Júlia ao vôlei ainda é incógnita
O único empecilho atual atormentou Júlia Azevedo desde o primeiro momento, quando ainda nem tinha noção do processo que enfrentaria nas semanas seguintes. Ao No Ataque, a jogadora do Tijuca relembrou que uma dúvida que surgiu instantaneamente foi se poderia jogar três dias após o ocorrido. Claramente, os médicos negaram a possibilidade e projetaram um mês – o que hoje é visto por ela como uma maneira de tranquilizá-la naquele momento.
“No dia que aconteceu, eles falaram: ‘Mais ou menos um mês’. Só que que foi falado um mês para me tranquilizar, porque a primeira coisa que eu perguntei foi: ‘Tem jogo na quarta-feira, quando é que eu posso jogar de novo?’. Acho que eles falaram um mês para me tranquilizar”, salientou a jogadora, que revelou uma consequência que ainda carrega no corpo.
“Já passou um mês e meio e ainda tem um líquido cruzando as costas, então ainda não posso voltar. Tenho que fazer mais uma ressonância e vou ao médico em 15 de janeiro. Vamos ver quando volto”
Júlia Azevedo, jogadora de 28 anos
Parar o corpo de um atleta é bem complicado. Até por isso, Júlia ressaltou que a pior parte é “ficar sem treinar”: “A gente fica se sentindo inválido, porque estamos acostumados a treinar todo dia. Aí vejo todo mundo treinando e não posso fazer nada”.
Volta ainda nesta Superliga Feminina de Vôlei
Mesmo em meio às dúvidas, a crença de Júlia Azevedo faz com que ela tenha uma certeza: voltará a jogar na Superliga Feminina de Vôlei de 2025/2026 e ajudará as companheiras. No primeiro turno, encerrado em dezembro, o Tijuca fez apenas seis pontos, conquistou uma vitória e terminou o ano como o 11º colocado, dentro da zona de rebaixamento.
Mas para voltar com 100% de rendimento, a oposta já sabe que precisará de cuidado especial: “Quando eu voltar a treinar, provavelmente, não vou voltar saltando com tudo, 100%, porque vai ter o tempo parado, até para não criar outras lesões. Vou voltar a treinar em uma academia mais firme e começar a saltar”.
“Mas estou tratando como se fosse qualquer outra lesão, respeitando o tempo de recuperação e, assim que puder voltar, voltar com tudo. É normal. Não é muito diferente. E que eu volte ainda nesta Superliga. Com certeza, vou voltar”, concluiu Júlia Azevedo.
Fique atento ao No Ataque nesta quinta-feira (8/1) que a íntegra da entrevista com Júlia Azevedo será disponibilizada, além de um conteúdo em que a oposta do Tijuca fala sobre o episódio e explica por que se vê como uma “ganhadora da Mega-Sena da Virada”.