O início da trajetória de Rui Moreira no Brasil não foi calmo. O português chegou ao Praia Clube para a temporada 2025/26, foi derrotado pelo rival Minas na decisão do Mineiro e iniciou a Superliga Feminina de Vôlei com três derrotas nas cinco primeiras rodadas. Mesmo assim, o técnico de 40 anos não se assustou e lidou bem com as críticas, até porque, em um passado recente, teve que sair até de “escolta policial” das quadras.
Contratação do Praia para a temporada, o treinador Rui Moreira substituiu Marcos Miranda e não teve o início que os – exigentes – torcedores do Praia esperavam. No entanto, o time se recuperou, foi semifinalista do Mundial de Clubes, está na semifinal da Copa Brasil e é o terceiro colocado da Superliga, com oito vitórias nas últimas nove partidas da competição.
Em um momento bem mais tranquilo e de contrato renovado com o Praia – como apurou a reportagem -, Rui Moreira deu uma entrevista exclusiva ao No Ataque e falou sobre a pressão sofrida no início da trajetória no Praia Clube. Na resposta, o português fez questão de destacar que entende as críticas, mas que já passou por situações piores ao treinar Porto e Benfica em Portugal.
“As críticas fazem parte. Eu digo isso muitas vezes, e talvez as pessoas não entendam ou não compreendam, mas eu venho de um país onde o vôlei não tem a expressão que tem o vôlei no Brasil, nem a qualidade e a dimensão. Mas dentro do nível, por conta dos times de futebol terem vôlei – e, neste caso, vôlei feminino -, tem muita briga. Essa crítica externa é muito maior, é muito maior”, iniciou Rui Moreira.
“Então, para mim, eu estou acostumado. Nos últimos anos trabalhei em dois times de futebol onde havia muita exigência, havia muita pressão. Em alguns pós-jogos, a gente tinha que sair de escolta policial. Então, aqui não. Aqui eu ando na rua, saio à rua, estou tranquilo. Tínhamos que ir de escolta policial… então essa pressão, essa crítica externa, eu estou acostumado”
Rui Moreira, técnico do Praia Clube
E nem mesmo as redes sociais desestabilizaram o português. “Eu não ligo para redes sociais, eu não vejo. Ninguém me trata mal na rua. Acredito que possa haver torcedores insatisfeitos. Eu, como torcedor do meu clube, quando perde, também fico insatisfeito. Faz parte. Eles nos ajudam muito e entendo que, nos momentos menos bons, eles fiquem insatisfeitos e que isso, muitas vezes, caia no técnico, nas jogadoras… mas que caia no técnico em vez de cair nas meninas, que eu aguento bem”, destacou.
E as jogadoras do Praia Clube?
Obviamente, as críticas após as primeiras partidas de 2025/26 não foram apenas para o técnico. As jogadoras do Praia Clube também ouviram críticas no início ruim de temporada, mas tiveram uma ótima reação, como destacou Rui Moreira. O português de 40 anos ainda destacou a importância do trabalho para passar por essa situação.
“Principalmente para quem está aqui no campeonato há muito tempo, já está todo mundo muito acostumado. Eu não estou dizendo que não ligam, que não dão valor. Ninguém gosta de ser criticado, ninguém gosta de ser insultado ou maltratado. Isso às vezes acontece e acho que esse é o lado ruim: uma coisa é uma crítica de uma performance, outra coisa é quando chega ao maltrato ou insulto. Eu acho que isso aí já é perda de caráter”
Rui Moreira, treinador do Praia Clube
“Mas acho que as meninas já estão acostumadas, elas lidam bem, elas aguentam. E a prova disso é que nós passamos por um momento muito difícil e, em grupo, conseguimos dar a volta. E você pergunta: ‘Como?’ Trabalhando diariamente, percebendo que era o nosso momento, identificar os problemas, resolver os problemas, manter as coisas boas e materializar isso em vitórias”, concluiu Rui.
Sob comando do português, o Praia Clube voltará à quadra na sexta-feira (31/1), às 21h, diante do Minas, pela 15ª rodada da Superliga Feminina de Vôlei.