Final do Mineiro: Atlético e América já têm um pouco da ‘cara’ de 2025

Nos dois lados é visível quem chegou chegando. Isso não significa, necessariamente, que são jogadores que ganharam a titularidade de bate-pronto

Por mais que o Campeonato Mineiro pouco sirva de parâmetro para o restante da temporada – por ser início de trabalho e não oferecer adversários à altura dos que virão nos principais desafios do ano –, é possível dizer que Atlético e América chegam à final com um esboço dos times que mostrarão em 2025. As formações de Galo e Coelho já têm um desenho dessa “nova cara”, com o crescente ajuste entre os reforços e os remanescentes de 2024.

Nos dois lados é visível quem chegou chegando. Isso não significa, necessariamente, que são jogadores que ganharam a titularidade de bate-pronto. Também há aqueles que estão cavando espaço entrando no decorrer das partidas e mostrando que podem ser peças importantes, especialmente para renovar o fôlego da equipe, mudar um cenário.

Claro que são apenas sinais, já que os dois clubes seguem se reforçando e contam com atletas que só vão poder estrear mais pra frente – é o caso, por exemplo, dos atacantes Stênio e William Bigode no América; e do zagueiro Vitor Hugo e do atacante João Marcelo, em vias de serem anunciados pelo Atlético.

Em busca do hexacampeonato estadual, o Galo tem reforços que mal chegaram e já se estabeleceram na equipe. O lateral-direito Natanael é um deles. Com pouco tempo, entendeu o papel que teria em campo, se entrosou com os companheiros e se fez titular.
No ataque, Rony também mostrou que chegou para ficar, deixando concorrentes para trás como Júnior Santos (que está machucado, mas, nas vezes em que foi acionado, não mostrou, por enquanto, a mesma constância do ex-palmeirense).

Na linha de frente, outro que tem demonstrado sintonia com o time, mesmo tendo chegado neste ano, é o argentino Cuello. Não só pelos gols, mas também pela movimentação.

Agora um exemplo de jogador que (ainda) não é titular e, mesmo assim, tem deixado boa impressão: Caio Paulista.Versátil, tem aproveitado bem as chances dadas por Cuca, mostrando ser o tipo de jogador que impulsiona o coletivo. Participativo, não é daqueles que esperam a bola chegar, passivamente. Ele busca o jogo, se movimenta, abre espaços. Ótimo cartão de visitas para um novato.

No lado do América

No América, para fazer justiça, antes de citar qualquer atleta é preciso falar de William Batista. Mais jovem que muito jogador, aos 31 anos o treinador tem demonstrado maturidade profissional e uma visão dinâmica no comando do time. Não por acaso, tem sido elogiado, inclusive, por adversários.

Embora o ataque venha sendo o grande destaque do Coelho no Estadual, é preciso começar pelo acerto no gol. Matheus Mendes, emprestado pelo Atlético, assumiu a camisa 1 de cara. A relação com o time é simbiótica, em que os dois saem ganhando: o América tem um goleiro arrojado, de qualidade técnica, e Matheus Mendes precisava de jogar para mostrar seu valor – o que não conseguia no Galo, por motivos óbvios, já que Everson é titular incontestável.

Devido às limitações financeiras, os dirigentes americanos iniciaram o ano buscando, no mercado, reforços pontuais e sem muito renome. E há escolhas acertadas, como as contratações do volante Cauan Barros e do atacante Figueiredo. O meio-campista Miqueias volta e meia é acionado e dá conta do recado.

Depois de montar uma base, o clube voltou o olhar para a experiência, diante das oportunidades do mercado. Assim chegou Mariano para assumir a lateral direita. Uma voz importante como liderança e para a ambição do clube de voltar à Série A.

Esta é uma análise preliminar, bem em cima do que os dois primeiros meses de trabalho no ano permitem e indicaram, na Cidade do Galo e no Lanna Drumond. Não há pretensão de dar veredicto ou fechar teses.

Aliás, no futebol, esse nunca é o melhor caminho, já que o que é combinado em janeiro não tem garantia de prazo de validade. A começar pelos cabeças, os treinadores. Mudança no comando técnico acarreta, em efeito cascata, outras alterações, mudando rumos e afetando diretamente o campo – está aí o Cruzeiro para provar.

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