Acostumado a medir forças com clubes de peso do futebol argentino, casos de Boca Juniors, River Plate, Racing e Vélez Sarsfield, o Cruzeiro terá pela frente hoje à noite um adversário sem badalação. O Club Atlético Unión será o 16º time do país vizinho a cruzar o caminho da Raposa, seja em torneios oficiais ou amistosos. A bola rola às 19h desta terça-feira (1º/4), pela primeira rodada do grupo E da Copa Sul-Americana.
Com quase 118 anos de história, o Unión manda seus compromissos no Estádio 15 de Abril, cujo nome faz alusão à data de fundação do clube – 15/4/1907. A arena inaugurada em 1929 passou por vários processos de ampliação e remodelação – os mais recentes em 2021 e 2024. As arquibancadas comportam 27 mil torcedores.
A sede do Club Atlético Unión é Santa Fé, cidade a 468 quilômetros da capital Buenos Aires. O município de cerca de 400 mil habitantes também abriga o Club Atlético Colón. As duas instituições protagonizam o clássico santafesino, que contabiliza 159 encontros oficiais até o momento. São 57 vitórias do Unión, 54 empates e 48 triunfos do Colón.

Em 1979, o Unión fez história ao chegar à final do Campeonato Argentino, sendo derrotado pelo River Plate em razão da regra do gol como visitante. Os times empataram por 1 a 1, no 15 de Abril, e 0 a 0, no Monumental de Núñez. Sem títulos de expressão no país, o clube de Santa Fé tem na sua sala de troféus a Segunda Divisão Argentina de 1966.
Campeões mundiais formados no Unión
Embora esteja longe de aparecer entre os grandes da Argentina, o Unión ajudou a formar atletas que viriam a se tornar campeões mundiais pela seleção nacional. O atacante Leopoldo Luque, vencedor da Copa de 1978, e o goleiro Nery Pumpido, titular na conquista de 1986, são naturais de Santa Fé.
Leopoldo Luque
Luque fez a base no Unión na década de 1960 e passou pelo time principal de 1973 a 1975, após defender cinco equipes por empréstimo, entre as quais Gimnasia de Jujuy e Rosario Central. Com a camisa rojiblanca, disputou 127 jogos, marcou 35 gols e ajudou o clube a terminar o Campeonato Argentino de 1974 em quarto lugar.
Na Copa do Mundo de 1978, já como atleta do River Plate, Luque anotou quatro gols em cinco partidas – dois deles na vitória por 6 a 0 sobre o Peru, jogo que até hoje levanta teorias de manipulação para garantir os argentinos na decisão. Durante o Mundial, o camisa 14 viveu um drama ao perder o irmão, Oscar, em acidente de carro.

Opositor da ditadura, Leopoldo revelou ter sido sequestrado por militares na Argentina e abandonado num matagal em 1980. Autor de 22 gols em 45 jogos pela Seleção, o atacante se aventurou no Brasil pelo Santos, em 1983, mas já não estava em sua melhor forma aos 34 anos. Luque morreu em 2021, aos 71 anos, vítima da covid-19.
Nery Pumpido
Nery Pumpido entrou em campo 168 vezes pelo Unión entre 1976 e 1981 e de 1991 a 1992. Foi justamente no período em que esteve fora do clube, de 1983 a 1990, que o goleiro participou de 38 jogos pela Seleção da Argentina.
O grande momento de Pumpido veio na Copa de 1986, em que ele permaneceu sob as traves nas sete partidas e se sagrou campeão mundial com o protagonismo de Diego Maradona (vice-artilheiro, com cinco gols).
No Mundial de 1990, quando já estava com 32 anos, Pumpido fraturou a perna direita ao se chocar com o lateral-esquerdo Julio Olarticoechea, companheiro de seleção, no confronto com a União Soviética. Em seu lugar foi acionado Sergio Goycochea, peça importante para a Argentina alcançar a final (revés para a Alemanha por 1 a 0).
Momento atual do Unión
Desde a primeira presença na elite do Campeonato Argentino, em 1966, o Unión de Santa Fé oscilou entre a primeira e a segunda divisão. De 2014 em diante, o time se firmou no escalão principal. Todavia, o cenário de momento causa incômodo na torcida: duas vitórias, dois empates e sete derrotas nos 11 primeiros jogos.
Os oito pontos somados em 33 possíveis deixam o Unión na 14ª posição entre 15 clubes da chave A. Somente o Aldosivi está abaixo, na lanterna, por causa do saldo inferior de gols: -11 a -6. No topo aparece o Tigre (24), seguido de Boca (23), Huracán (22) e Argentinos Juniors (22).

O que ameniza a pressão é o fato de a Liga Argentina rebaixar somente duas das 30 equipes: uma pela pontuação média dos últimos três anos e outra pela pior campanha geral de 2025.
Por outro lado, os oito mais bem posicionados de cada grupo – totalizando 16 -, classificam-se aos mata-matas e vão brigar pela taça e por vagas em Libertadores e Sul-Americana. Em 2025, a Liga Argentina terá dois campeões, uma vez que o campeonato voltou a ser dividido entre Apertura e Clausura.
Copa Sul-Americana
As equipes de cada grupo da Copa Sul-Americana se enfrentam em turno e returno, com três jogos em casa e três fora. Ao fim das seis partidas, os oito líderes avançam diretamente às oitavas de final.
Já os oito segundos colocados vão à fase de playoffs, imediatamente anterior à oitavas. Nessa etapa, enfrentarão em formato de mata-mata (ida e volta) os oito terceiros colocados eliminados na fase de grupos da Copa Libertadores. Os confrontos serão definidos por meio de sorteio na Conmebol.
A partir da fase de playoffs, a competição segue em modelo mata-mata (ida e volta), sem prorrogação e sem o critério de número de gols marcados fora de casa, até as semifinais. Igualdade no placar agregado leva a decisão para os pênaltis.
A final da Sul-Americana será realizada em jogo único, no dia 22 de novembro, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Em caso de empate no tempo regulamentar, está prevista a disputa de prorrogação antes de eventuais penalidades.
O campeão da Copa Sul-Americana em 2025 terá vaga na fase de grupos da Copa Libertadores de 2026.
Premiação
- Fase de grupos: US$ 300 mil por partida como mandante, totalizando US$ 900 mil (R$ 5,3 milhões) + bônus de US$ 115 mil por vitória (R$ 678 mil)
- Playoff: US$ 500 mil (R$ 2,9 milhões)
- Oitavas de final: US$ 600 mil (R$ 3,5 milhões)
- Quartas de final: US$ 700 mil (R$ 4,1 milhões)
- Semifinal: US$ 800 mil (R$ 4,7 milhões)
- Vice-campeão: US$ 2 milhões (R$ 11,8 milhões)
- Campeão: US$ 6,5 milhões (R$ 38,3 milhões)